Agência autoriza uso da toxina do botulismo para amenizar a dor

Obotox, proteína usada na década de 90 para atenuar rugas, pode ter mais uma indicação: o tratamento de enxaqueca. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos e que agora chegam ao Brasil estudam a influência do botox nos casos da cefaléia, mais conhecida popularmente como dor de cabeça.

Os primeiros experimentos foram apresentados no início de junho, durante o Cefaléia 2000, evento organizado pela Sociedade Brasileira de Cefaléia, em São Paulo.

“Percebeu-se que as pessoas que usavam o botox por razões cosméticas apresentavam uma melhora na enxaqueca. Mas ainda não se sabe exatamente qual o seu mecanismo no organismo”, afirmou o neurologista Carlos Alberto Bordini, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia e um dos profissionais envolvidos nas pesquisas brasileiras.

“Estamos acompanhando os pacientes durante um mês antes da aplicação do botox e nos cinco meses seguintes. Avaliamos o número de dias em que a pessoa sentiu dor, sua intensidade, a duração das crises e o uso de analgésicos”, explicou o neurologista.

Nos Estados Unidos, as pesquisas começaram há três anos e um estudo com 120 pessoas já foi publicado. Aqui, os estudos tiveram início há pouco mais de um mês e estão sendo feitos em Ribeirão Preto e no Rio de Janeiro.

Resultados começam a aparecer no terceiro mês
 As injeções com botox são aplicadas nos músculos da testa e da região temporal da face. “A quantidade ideal a ser aplicada ainda não foi definida mas atualmente são indicadas 25 unidades “, disse Bordini.

O efeito do botox – paralisação dos músculos – dura de quatro a seis meses. “De acordo com as pesquisas, os resultados no tratamento da enxaqueca começam a aparecer no segundo e no terceiro mês”, explicou.

Segundo o neurologista, a aplicação do botox não é indicada para pessoas com miastenia grave (uma doença neurológica que provoca fraqueza muscular) e quando há uso prolongado de determinados antibióticos. “O uso do botox pode provocar, em alguns pacientes, a queda da pálpebra, que pode durar até semanas”, alertou Bordini.

A Agência Nacional de Vigilância sanitária aprovou o uso de injeções de botos para tratar a enxaqueca crônica. O Brasil é o terceiro país a autorizar o uso do produto para este fim. Os outros são EUA e Inglaterra.  Além do uso estético, a toxina botulínica tipo A atua contra estrabismo e sequelas de derrames.

Com informações da Folha de S.Paulo e UNIMED

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