70% dos adolescentes brasileiros consomem mais sal do que o recomendado

Faltam vitaminas e sobra consumo de sal nas refeições dos brasileiros, de acordo com a análise de Consumo Alimentar no Brasil, feita pelo POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta quinta-feira, 28 de julho.

De acordo com o levantamento, as refeições realizadas entre os adolescentes de 10 a 13 anos de idade são deficientes de vitamina E, D, A e C, além de cálcio, fósforo e magnésio, importantes fontes nutricionais.

Segundo André Martins, técnico da pesquisa do IBGE, a pesquisa avança no conhecimento dos hábitos alimentares dos brasileiros e possibilita a criação de uma melhor estratégia do poder público para o combate da desnutrição em diferentes grupos.

– Antes nós tínhamos uma noção de que existia o problema. Agora mais do que a gente ter noção, nós sabemos a proporção em que os brasileiros escolhem os seus alimentos, os tipos e até os hábitos de consumo individuais da população por faixa etária.

A POF 2008-2009 mostrou que entre os adolescentes com idades na faixa de 14 a 18 anos faltam ferro, tiamina (vitamina B1) e piridoxina (vitamina B6) na alimentação. As inadequações foram similares entre os sexos com exceção ao ferro (11% entre os meninos contra 24% entre as meninas) e da riboflavina -vitamina B2- (16% para o sexo masculino contra 8,6% para o sexo feminino), ambos na faixa etária de 14 a 18 anos.

A riboflavina, a tiamina e a piridoxina atuam na produção de energia por meio da cadeia respiratória.

Em relação ao sódio, mais de 70% dos adolescentes tiveram ingestão superior ao valor máximo tolerável. O que antes era um problema para o Brasil (a falta de sódio nas refeições dos brasileiros), acabou se tornando outro problema: o excesso. Em homens e mulheres de 10 a 18 anos, o consumo chega a ser o dobro do necessário.

Campo x cidade

Quando a pesquisa diferencia aqueles que moram em áreas urbanas das áreas rurais, percebe-se a mesma realidade. A população entre 19 e 59 anos também apresenta falta de cálcio, vitaminas A, E, C e D, fósforo e magnésio.

A maioria dos nutrientes, segundo o IBGE, apresenta inadequação modestamente inferior nas áreas urbanas quando comparada às áreas rurais, com exceção apenas do magnésio em ambos os sexos.

A proporção de indivíduos com ingestão de sódio acima do nível seguro permaneceu elevada em ambos os sexos (maior que 85% e 70% nas áreas urbanas e maior que 85% e 65% nas áreas rurais entre os homens e as mulheres, respectivamente).

A Coordenadora Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Constante Jaime, afirmou que o órgão vai intensificar as campanhas para melhorar a alimentação do brasileiro. Segundo Patrícia, a presidente Dilma Rousseff vai lançar, em setembro, o Plano de Prevenção e Controle da Obesidade e Plano de Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, na ONU (Organização das Nações Unidas).

Fonte: IBGE

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