Cara ou Coroa? Os dois

Por Graziela Rosario*

Falar de bissexualidade é, muitas vezes, abrir portas para o preconceito, piadinhas de mau gosto tanto por parte de heterossexuais como também de homossexuais. De forma simples posso dizer que, em meu entendimento, os bissexuais tem atração não só sexual mas afetiva por pessoas de ambos os gêneros. Essa alternância em que vive o bissexual traz, em grande parte das vezes, o preconceito, uma imagem negativa que acaba dificultando a saída do “armário bi”.

Assumir-se bi é um ato de coragem, já que há a questão dos valores morais que dizem que os bissexuais tem valores duvidosos, ou seja, fica-se neste momento na obrigação de ter que assumir um dos dois lados, ou se é gay ou se é hetero. Mas afinal é assim que a banda toca? É realmente necessário escolher entre cara e coroa de forma permanente sem chance de atirar a moeda para cima novamente?

É de suma importância que os bissexuais se engajem mais na batalha pelo direito à livre expressão sexual, assumindo o “orgulho bi”. Em terras estrangeiras já existe a Bi Pride, com direito a bandeira tricolor, rosa, roxo e azul*, as cores simbolizam a perfeita harmonia na caminhada bi entre um lado e outro. Apesar de não ser uma estudiosa  e desconhecer estatísticas brasileiras sobre o assunto, creio que o bissexual enfrenta preconceitos de todos os lados, já que há a crença que este grupo de pessoas queira apenas “o melhor dos dois mundos”.

O armário bi tem duas portas, abrir ambas requer auto-aceitação e coragem, já que o parceiro costuma ficar com a pulga atrás da orelha achando que pode ser traído com qualquer pessoa do planeta, independente de ser homem ou mulher. Mas é necessário desmistificar essas falsas crenças. O bissexual se permite apaixonar por ambos os gêneros, assim, se você tem um namorado ou namorada bi não fique achando que ao topar com outra pessoa na rua ele/a vai largar você para ficar com ela. Então, respondendo: não, não é assim que a banda toca. É possível sim jogar a moeda para cima tantas vezes quantas julgar necessário, a fim de viver de forma plena sua orientação sexual, despido de mitos, falácias e essas abobrinhas que a falta de conhecimento a respeito dos bissexuais causa.

*Bandeira do orgulho bi: o rosa representa o desejo por pessoas do mesmo sexo; o azul, por pessoas do sexo oposto; o roxo, a bissexualidade. O simbolismo sustenta-se no fato de que os pixels roxos não são percebidos entre os pixels azuis ou rosas de uma imagem.

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