Dois filmes franceses com personagens gays estão em cartaz e uma mostra na web são opções para o final de semana

O louco amor de Yves Saint Laurent é o documentário de PierreThoretton, que estréia hoje no Unibanco Artplex 8, no Bourbon Contry.
O filme conta a história de amor entre o estilista Yves Saint Lauraint e Pierre Bergé que se conheceram em 1958, quando Laurent já era considerado, aos 22 anos, o garoto prodígio da alta costura internacional.
No funeral de Christian Dior ele conhece Pierre Bergé, que viria a ser o homem de sua vida. O relacionamento entre os dois é contado por Bergé, a partir do polêmico leilão ocorrido em fevereiro de 2009, um ano após a morte de Saint Laurent, em que foram vendidas 733 obras de arte de sua coleção.
O casal reuniu uma impressionante coleção de arte ao longo de seus cinquenta anos de união.  

Eu matei minha mãe é o outro filme francês, que está em cartaz no Instituto NT conta a história da problemática relação de um jovem gay (Xavier Dolan) e sua mãe.

Dolan, diretor e protagonista do filme, escreveu a história quando tinha 16 anos, com base em suas próprias experiências. Na forma de um desabafo cinematográfico, as angústias de Hubert são mostradas na tela com muita intensidade e é por se basear em um sentimento real que as situações não parecem extremas ou caricatas.

Hubert frequenta o colegial e discute com a mãe no café da manhã, no carro, no jantar… A raiva que ele sente de Chantale se agrava ainda mais quando ele conhece a mãe de seu seu namorado, Antonin (François Arnaud), mulher liberal, que leva garotos mais jovens pra casa, não vê problema na homossexualidade do filho e até permite que ele fume maconha em seu quarto.

No entanto, por mais que às vezes Hubert perca o controle e externe sua raiva e frustração de forma violenta, este não é um filme sobre ódio pela mãe. É evidente que Hubert ama Chantale. Se não houvesse amor, não haveria tamanha intensidade na raiva. Temos aqui um sentimento que não é unicamente benigno e está mais para aquele amor em busca de reconciliação de Fernando Pessoa, que pede “tempo para acertar nossas distâncias”.

Eu Matei Minha Mãe não é maniqueísta. Hubert não discute com a mãe porque ela é má ou o priva de suas vontades. Chantale está ali tão perdida quanto o filho que criou sozinha, sem saber como impor-lhe disciplina ou recuperar a proximidade que existia quando ele era apenas um menino.

Além do foco na atuação, Dolan também faz boas escolhas como diretor, utilizando a imagem para complementar a narrativa – peca apenas quando tenta desnecessariamente intensificá-la com simbolismos (borboletas e imagens de santas: quem aguenta?). Mas, para aqueles que se identificam com a situação ali retratada, não há como deixar o cinema intocado. A força do filme está mesmo no emocional.

E para quem não quiser sair de casa, ainda pode assistir até o dia 29 de janeiro a mostra de filmes franceses, on line, na web. Trata-se do MyFrenchFilmFestival.Com

Estão sendo exibidos dez longa-metragens e dez curtas, além do clássico “French Cancan“, de Jean Renoir realizado em 1954. No Brasil o acesso é gratuito graças à promoção da Essilor Brasil/Varilux.

O site de acesso é www.myfrenchfilmfestival.com/pt

2 thoughts on “Dois filmes franceses com personagens gays estão em cartaz e uma mostra na web são opções para o final de semana

  1. Queridos,
    só uma correção, o filme "Eu matei minha mãe", é canadense, falado em francês, mas a produção e o diretor são canadenses.
    O filme é muito bom, o diretor Xavier Dolan tem apenas 21 anos hoje. "Eu matei minha mãe, foi seu longa de estréia, que ganhou 6 prêmios em Cannes em 2009, ele já rodou outro longa, "Amores imaginários", ambos valem muito a pena assistir. Xavier também é ator, no "Eu matei minha mãe ele tbm protagoniza o filme vivendo Hubert.

  2. Edson, obrigada pelo esclarecimento, é sempre bom contar com a ajuda de quem nos acompanha! Grande abraço, Graziela / SOMOS

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