Uma em cada cinco pessoas no Reino Unido não sabem que o HIV pode ser transmitido durante as relações sexuais sem proteção

Uma pesquisa realizada no Reino Unido sugere que uma em cada cinco pessoas não sabem que o HIV pode ser transmitido através do sexo gay desprotegido. A apuração foi realizada com 1.944 pessoas, pelo National AIDS Trust. Descobriu-se também que o mesmo número de pessoas não sabia que relações sexuais heterossexuais sem proteção podem levar à transmissão do vírus. O povo Africano e Caribenho foram os menos propensos a entender que o sexo desprotegido gay é uma via de transmissão – 49% em comparação com 20% do resto do mundo. Este é o quarto ano de publicação da pesquisa ‘HIV: Public Knowledge and Attitudes’. Para o coordenador-geral do grupo SOMOS, Luiz Felipe Zago “É importante salientar que esses números reforçam a necessidade de entendermos a epidemia de HIV/Aids pela perspectiva das vulnerabilidades sociais. Quando é constatado que pessoas afrodescendentes e de origem caribenhas são as ‘menos propensas a entender que sexo gay desprotegido é uma via de transmissão’, não estamos lidando com o mero fato de ter ou não informação apropriada sobre prevenção ao HIV/Aids: estamos falando de complexas situações de vulnerabilidade destas pessoas, posições vulneráveis que essas pessoas ocupam na sociedade que as fazem não ter acesso à informação, nem ser sujeito de direitos por exemplo”.

Apenas 30% das pessoas pesquisadas foram capazes de identificar corretamente todas as maneiras de contrair o HIV e passá-lo à outra pessoa. Quase metade das pessoas (47%) considerou que não existem formas eficazes de prevenir uma gestante com HIV de passar o vírus para o bebê, sendo que as evidências mostram que o tratamento dá a mãe portadora do virus 99% de chance de ter um bebê saudável.

Deborah Jack, presidente-executiva da National Aids Trust, declarou: “Certamente é positivo ver que a maioria do público têm atitudes favoráveis em relação às pessoas com HIV, mas ainda há enormes lacunas na consciência do que significa viver com o HIV no Reino Unido hoje. É extremamente importante que as incursões sejam realizadas com o objetivo de educar o público em geral para que possamos erradicar o preconceito que ainda existe em torno do HIV. Além de melhorar o conhecimento sobre o HIV, o trabalho intensivo também precisa entrar em luta contra as sentenças, muitas vezes profundamente enraizados. O governo fez um esforço que mostrou-se eficaz para combater esse estigma em relação à saúde mental, e agora é hora de o HIV ser abordado da mesma maneira”.

Zago salienta ainda que “É importante, por outro lado, nos questionarmos sobre como podemos implementar novas metodologias de prevenção, como criar novas formas de falar sobre prevenção com múltiplos públicos de maneira que essa informação faça sentido. E mais ainda: é preciso pressionar os governos politicamente para que campanhas de prevenção sejam oferecidas sempre, e em várias instâncias, e não apenas no Carnaval – como acontece aqui no Brasil”.

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