Tuberculose – Porto Alegre dá mau exemplo

Atividade realizada na última terça-feira, 24 de março, na Câmara Municipal de Porto Alegre marcou o Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose e trouxe mais preocupações para a capital gaúcha.

Na ocasião estavam presentes os representantes do Conselho Municipal da Saúde, autoridades estaduais e municipais, ONGs e profissionais de saúde.

A enfermeira Lisiane Acosta, da Equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde, apresentou “O mapa de Porto Alegre e a tuberculose: distribuição espacial e determinantes sociais”, trabalho de mestrado defendido na UFRGS, em 2008. “As altas taxas de incidência da tuberculose na Capital, com média de 100 casos por 100 mil habitantes, nos últimos anos, contrastam com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade de 0,865, considerado um índice elevado”, destacou. Ela propôs “o uso desses indicadores para o planejamento de políticas públicas que promovam justiça social”.

As ONGs cobraram a falta de quimioprofilaxia na prevenção da tuberculose para os portadores de HIV. Os representantes do Conselho Municipal de Saúde alertaram para a falta de recursos humanos para as ações que devem ser desenvolvidas na cidade e aproveitaram para reclamar que a Prefeitura está gastando muito com contratos temporários de profissionais de saúde.

Compareceram o Dr. Helio Azambuja, representante da Secretaria Estadual da Saúde, e a enfermeira Vânia Micheletti, coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose de Porto Alegre e representante da Prefeitura Municipal, que explicaram os programas em andamento e responderam os questionamentos.

A atividade foi considerada positiva pelos participantes, contribuindo para ampliar a discussão e chamando a atenção do poder público e da população para a necessidade de combater a desigualdade social para reduzir os casos de tuberculose.

Frente Parlamentar

No mesmo horário, foi realizada na Assembleia Legislativa a primeira reunião da Frente Parlamentar de Prevenção e Combate à Aids e Tuberculose do Rio Grande do Sul, coordenada pelo deputado Paulo Borges (DEM).

A Dra. Carla Jarczewski, Coordenadora do Comitê Metropolitano de Tuberculose de Porto Alegre, levou ao encontro dados atuais sobre a Tuberculose no RS. Carla enfatizou que nos anos 1970, quando foi implantada a primeira campanha de prevenção à doença, houve um declínio significativo do número de casos no Estado. Porém, hoje, esse dado vem se revertendo e é necessária uma nova conscientização da população. “Precisamos de tecnologia, vontade política e participação da sociedade para mudar o quadro atual”, resume a doutora.

A representante do Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS (GAPA), Sandra Perin, lamentou a ausência de mais parlamentares, mas trouxe reivindicações práticas para a próxima reunião da Frente. Sandra alertou que, mesmo com Audiência Pública realizada recentemente para tratar do assunto, ainda há a falta de medicamentos disponibilizados pelo Estado e pediu uma nova mobilização do Parlamento quanto a essa demanda.

Werner Ott, criador do Sistema de Combate à TB no RS, exaltou a necessidade da participação da comunidade e que o Poder Público é aliado indispensável nessa luta.

Também estiveram presentes na reunião o Coordenador Técnico do Fórum da ONG AIDS/RS, Rubens Raffo, e representantes do Núcleo de Estudos da Prostituição no RS. Na ocasião, foi feito o lançamento oficial do Blog da Frente Parlamentar. No site, poderá ser feito o acompanhamento das reuniões, ver as novidades e avanços da Frente, as entidades que participam, além de outras informações sobre essas doenças infecto-contagiosas.

O que é a tuberculose

Chamada antigamente de peste branca e conhecida como tísica pulmonar ou doença do peito, a tuberculose é uma das doenças infecciosas documentada há muito tempo na história da humanidade.

Apesar de antiga, a tuberculose continua atingindo a sociedade. Os processos de produção e reprodução estão diretamente relacionados ao modo de viver e trabalhar do indivíduo. A doença apresenta sintomas como tosse por mais de 15 dias, febre ao entardecer, suores, falta de apetite, emagrecimento e cansaço fácil.

No ano de 1993, em decorrência do número de casos da doença, a Organização Mundial de Saúde (OMS), decretou estado de emergência global e propôs o Tratamento Diretamente Supervisionado (DOT), uma estratégia para o controle da doença.

Especialistas explicam que, a tuberculose se dissemina através de gotículas no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram ou falam. Contatos prolongados são alto risco de infecção.

A probabilidade de transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo e a virulência. A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia antituberculose eficaz.

A tuberculose afeta principalmente os pulmões. A tuberculose pulmonar também pode evoluir a partir de uma tuberculose extrapulmonar

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