Três agredidos na Marcha da Maconha fazem exame de corpo de delito no Rio

Três manifestantes da Marcha da Maconha foram nesta segunda-feira (7) ao Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito, conforme mostrou o RJTV. Eles alegam que foram atingidos por cassetetes, balas de borracha e estilhaços de bombas de efeito moral durante a passeata, que terminou em confusão com policiais militares, na noite do último sábado (5). O ato aconteceu na Praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A manifestação teve início por volta das 16h. A PM ficou no local para evitar que a marcha ocupasse as duas pistas da orla. A passeata já durava duas horas e meia e se aproximava do fim quando um carro do Batalhão de Choque da PM se aproximou dos manifestantes, na altura da Rua Joana Angélica.

A Policia Militar informou que os PMs reagiram porque os manifestantes teriam atirado latas de cerveja e outros objetos nos policiais.

As imagens de um cinegrafista amador mostram o início da confusão.

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“O Choque chegou pela contramão, atravessando com uma velocidade perigosa a manifestação. Eles já chegaram jogando gás de pimenta pelas janelas. Eu estava no alto do carro de som, eu pude observar claramente a postura agressiva apontando as armas de grosso calibre para os manifestantes. Depois eles desceram do carro e começaram a jogar as bombas e dar os tiros de balas de borracha”, explicou o organizador da Marcha da Maconha no Rio, o sociólogo Renato Cinco.

Tiago Guerra Duarte foi atingido por um tiro de borracha e ficou machucado nas costas.

“Eles deram um tiro no meio da multidão, nisso eu vi o projétil vindo na minha direção, e só deu tempo de virar, aí atingiu as minhas costas”, contou o rapaz.

“Houve truculência policial. Algo que começou pacificamente e continuaram jogando bomba de efeito moral na areia”, comentou o rapaz.

O músico Gabriel Santos, que também participava do ato, diz que teve o instrumento danificado e o braço ferido.

“Do nada, eu estava de costas, e simplesmente bateram no meu trombone e aí eu falei para ele: poxa, você acabou de arrebentar o meu instrumento de trabalho, aí ele foi e bateu pela segunda vez”.

Revista em delegacia
Os manifestantes disseram que após a confusão, ainda foram revistados na delegacia. Segundo uma das vítimas, a delegada de plantão determinou que todas as pessoas agredidas fossem revistadas antes dos depoimentos.

Um dos organizadores da Marcha, que estava no grupo, disse que foi obrigado a se despir. “Fui obrigado a ficar de cueca na frente dos policiais e dos advogados”, disse o sociólogo Renato Cinco ao Bom Dia Rio.

O advogado Gerardo Santiago, que representa os organizadores do movimento Marcha da Maconha no Rio, acompanhou o procedimento na delegacia e disse que vai entrar com uma representação no Ministério Público por abuso de autoridade contra a delegada que determinou a revista. “Eu me senti ainda mais desrespeitado quando eu compareço a uma delegacia para dar queixa de abuso de autoridade e sofro um novo abuso”, afirmou Renato.

De acordo com a Polícia Civil, a delegada que estava no plantão, Flávia Monteiro, da 14ª DP (Leblon), disse que a revista foi necessária porque algumas pessoas que prestaram queixa estavam visivelmente alteradas e aparentavam ter consumido droga. Segundo a polícia, durante a revista os agentes teriam encontrado maconha com uma das vítimas.

Fonte: G1

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