SOMOS critica delegada carioca que evita enquadrar crime transfóbico

O estudante de direito e lutador de jiu-jítsu, Leonardo Loeser de Oliveira, (foto) de 27 anos, foi preso em flagrante na manhã do último domingo, 23 de maio, acusado de ter assassinado uma travesti. O jovem nega a participação no crime, embora o corpo da vítima tenha sido encontrado dentro da sua casa, no Horto.

Em entrevista ao site G1, a delegada adjunta da Divisão de Homicídios, Tatiana Queiroz, afirmou que o suspeito já apresentou três diferentes versões para os arranhões no antebraço e diz não saber como o corpo foi parar na residência.

A estranha declaração da delegada, que conduz as investigações, deixou indignados os ativistas LGBT, pois ela disse à imprensa que este assassinato não se caracteriza como crime de ódio e Homofobia.

Gustavo Bernardes, advogado e coordenador do SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade também ficou surpreso. “Ora, se matar e, logo após queimar o corpo de uma travesti não é homofobia, o que seria, então?” questiona. “Isso é um crime de ódio e transfobia, para ser mais preciso e o fato de o autor manter relações com travestis ou pessoas do mesmo sexo não o isenta de sentir ódio ou culpa por isso”, conclui.

As entidades nacionais LGBTs e do Rio estão empenhadas em acompanhar este crime de perto e solicitar que outro delegado ou delgada acompanhe o caso, afinal, o crime precisa ser investigado.

“Crimes como estes são as razões da nossa luta nacional em defesa do PL 122/06 que criminaliza a Homo, Lesbo e Transfobia”, diz Bernardes.

“Primeiro ele diz que tinha brigado com um amigo, depois fala que foi lutando jiu-jítsu, e, por último, conta que se machucou capinando o quintal. O amigo nega a versão de Leonardo e diz que o suspeito mantinha relações com outra travesti da região”, afirmou a delegada ao site.

Segundo a delegada, o pai do suspeito está mais chocado com o fato de o filho manter relações sexuais com uma travesti do que com o crime. Tatiana Queiroz não descarta a possibilidade de Leonardo estar sob o efeito de crack no momento do crime.

Vítima ainda não foi identificada

A vítima, ainda não identificada, aparentava ter entre 20 e 30 anos. De acordo com o relato de vizinhos, Leonardo teria brigado com a travesti momentos antes do crime. Os dois estavam sozinhos na casa da família porque os pais do lutador tinham saído para um culto. Leonardo teria chegado no início da manhã da Lapa, acompanhado da vítima. Ele foi preso pelos policiais a alguns metros de casa.

A polícia chegou ao local devido à denúncia de vizinhos, que se assustaram com um incêndio nos fundos da casa. Ao chegar, os PMs encontraram o corpo. De acordo com a perícia, a travesti tinha ferimentos na cabeça – causados pela pancada com um vaso de louça – e queimaduras. A causa da morte só será identificada após laudo do Instituto Médico Legal.

– O lutador teria ido à Lapa no sábado à noite e conhecido a vítima. Houve uma luta entre os dois e, depois, ele tentou ocultar o corpo. Ateou fogo em um lugar ermo, nos fundos da casa – explicou a delegada-adjunta da Divisão de Homicídios, Tatiana Queiroz.

Na casa, foi encontrado um recipiente com querosene. No local também foram encontradas munições para fuzil 762.

– A hipótese de crime de ódio contra homossexuais foi afastada porque o autor mantinha relacionamentos com pessoas do mesmo sexo com aparência feminina desde o fim de sua relação estável com a mulher, há aproximadamente um ano – disse a delegada.

Leonardo pode ser indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, com motivo torpe.

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