“Salvation Army” será primeiro filme árabe com um protagonista gay

Abdellah Taia lança filme baseado em suas próprias experiências (Foto: EPA)

Abdellah Taia lança filme baseado em suas próprias experiências (Foto: EPA)

O diretor e escritor Abdellah Taia acredita ter providenciado ao cinema árabe seu primeiro protagonista gay em seu filme de estreia, “Salvation Army” (“Exército da Salvação”).

Taia já havia criado sensação no Marrocos, seu país natal, quando, em 2006, se tornou o primeiro marroquino a anunciar publicamente sua homossexualidade e, um ano depois, aparecer na capa de uma revista de notícias sob a manchete “Homossexual, contra todas as probabilidades”.

Taia, que vive em Paris, onde trabalha como escritor – um de seus romances é o próprio “Salvation Army”, que deu origem ao filme -, tomou um risco calculado saindo do armário em um país em que pessoas gays podem ser presas.

“Estou ciente de o quanto este assunto é um tabu no mundo árabe”, declarou Taia em entrevista ao Huffington Post por telefone de Veneza, onde participou da estreia de seu filme no Festival de Cinema de Veneza.

Mas ele declarou se sentir em uma posição para discutir o papel de gays e lésbicas na sociedade devido a seu sucesso literário. Mesmo sob alguma tensão, o filme foi filmado em locação no Marrocos. “Eles me deixam entrar no Marrocos”, disse Taia. “Se eles fizerem algo comigo, é um risco para eles, também.”

“Salvation Army” é inspirado nas próprias experiências de Taia como um garoto gay e pobre no Marrocos. O protagonista, Abdellah, tem consciência de sua homossexualidade desde cedo e tem que se virar para sobreviver em um país em que sua orientação sexual não é aceita, mesmo sendo praticada – homens mais velhos frequentemente o abordavam.

O jovem Abdellah idolatra seu irmão mais velho, favorecido entre as nove crianças da família e que tem um quarto só seu, mesmo que sua mãe durma em um quarto com as outras oito crianças. É apenas quando seu irmão abandona a família que Abdellah “se liberta” e, depois, deixa o Marrocos.A segunda parte do filme se passa em Genebra, na Suíça, para onde o próprio Taia partiu em busca de seu sonho de ser um escritor e cineasta.

“No Marrocos, eu nunca poderia tentar ser publicado ou dizer que queria ser um cineasta”, declarou. “Todos iriam rir de mim. Na verdade, minhas irmãs riram muito de mim, o que me deixava furioso.”

Taia acredita que as revoluções da Primavera Árabe e a ânsia por mais direitos individuais na região está ajudando a criar um clima de mudança no mundo árabe, inclusive para homossexuais. Ele cita a existência de um site para homossexuais, escrito na língua árabe, no Marrocos, e o fato de que uma palavra neutra para homossexuais foi incluída na língua árabe: “mithly”.

Ele espera que seu filme, com seu protagonista gay, seja também um destes fatores: “Talvez este filme ajude algum gay ou lésbica árabe a encarar a realidade e conseguir apoio”, disse Taia. “Acho que este é o tempo para libertar os homossexuais daqui e não esquecer de que eles também são árabes”.

Fonte: Huffington Post

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