Protesto em Porto Alegre pediu o fim da ‘cura gay’ e a queda de Marco Feliciano

Onda de protestos pode contribuir para aprovar o PL 122 que criminaliza a homofobia, acreditam ativistas LGBT. (Foto: Divulgação)

Onda de protestos pode contribuir para aprovar o PL 122 que criminaliza a homofobia, acreditam ativistas LGBT. (Foto: Divulgação)

Uma parte da massa que saiu para as ruas de Porto Alegre nesta quinta-feira, 20, tinha uma pauta bem definida. “A passagem eu abaixei, agora vou pra rua acabar com a cura gay” foi o coro de um grupo identificado por guarda-chuvas, bandeiras, camisetas e cartazes coloridos. As cores do arco-íris, que representam a causa LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), tornaram fácil a identificação daqueles que queriam protestar contra a aprovação do PL que propõem tratamento psicológico para homossexualidade. O texto foi aprovado nesta semana na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal e o foi o foco principal dos gritos pelas ruas da capital gaúcha.

A organização do grupo ocorreu pelo Facebook, onde uma parte do movimento LGBT chamava para a marcha principal que se concentrou em frente a Prefeitura de Porto Alegre e outro para se reunir em frente ao bar Passefica, local de referência para o público homossexual na cidade. Ambos se encontraram em frente ao Paço Municipal e outros casais hetero e homossexuais se uniam espontaneamente no ‘núcleo gay’ da passeata.

A cada palavra de ordem, um coletivo de mãos se unia para balançar uma bandeira colorida de aproximadamente 4 metros. Todos sacudiam o pano e pediam o fim da ‘cura gay’, da homofobia e a queda do presidente da CDHM, pastor Marco Feliciano (PSC-SP).“Um, dois, três, quatro, cinco mil, sai Feliciano ou paramos o Brasil”, repetiam inúmeras vezes ao longo do trajeto.

Respeito, liberdade sexual e pelo fim da opressão aos homossexuais foram as principais palavras de ordem na voz e nos cartazes do protesto em Porto Alegre. (Foto: Divulgação)

Respeito, liberdade sexual e pelo fim da opressão aos homossexuais foram as principais palavras de ordem na voz e nos cartazes do protesto em Porto Alegre. (Foto: Divulgação)

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Cartazes pediam arquivamento do PL da ‘Cura Gay’ e queda do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da Comissão de Direitos Humanos. (Foto: Divulgação)

“Nós queremos o imediato arquivamento do PL da Cura Gay e o avanço do PL 122 – que criminaliza a homofobia, além da renúncia do presidente da CDHM, pastor Marcos Feliciano”, disse o advogado da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Leonardo Vaz.

Vaz acredita que neste momento de despertar dos brasileiros nas ruas, a causa gay poderá ganhara mais força, já que acaba ficando apenas na voz e força dos movimentos sociais LGBT. “Enfrentar o fundamentalismo necessita de uma mudança cultural que precisa mais do que protestos nas ruas. Mas a gente espera que este movimento inciado com as passagens possa ser o caminho do povo para utilizar a sua força para outras causas a partir de agora”, disse.

Ao marchar na Avenida Borges de Medeiros em direção a Salgado Filho, os ativistas enrolados em bandeiras do movimento LGBT recebiam apoio dos moradores que assistiam o protesto das janelas. “Se apoia pisca a luz, se apoia pisca a luz”, pediam os manifestantes. A cada piscada de luz dos que responderam positivamente à provocação, a marcha respondia com festa. Alguns moradores atiraram papel picado e outros sacudiam bandeiras brancas, pedindo um ato pacífico. Em frente ao Hospital Santa Casa, alguns manifestantes organizavam apelos de silêncio aos demais que correspondiam se mantendo quietos.

Concentração do grupo LGBT foi no bar Passefica, na Cidade Baixa. (Foto: Divulgação)

Concentração do grupo LGBT foi no bar Passefica, na Cidade Baixa. (Foto: Divulgação)

Durante todo o percurso do protesto na região Central de Porto Alegre, o grupo que carregava a bandeira LGBT colheu simpatizantes e apoiadores. Boa parte dos manifestantes se escondeu em baixo da bandeira gay para escapar da chuva e de lá reforçaram o coro contra o preconceito. A cada pausa da marcha, todos sacudiam a bandeira para chamar a atenção dos helicópteros de emissoras de televisão e também espalhar a água acumulada ao longo da caminhada. O que acabou não surtindo muito efeito, uma vez que a causa LGBT não teve voz na maioria das coberturas jornalísticas sobre os protestos em Porto Alegre.

Na avaliação do fotógrafo Rodrigo Bragalia, o país vive um momento de tomada de consciência coletiva que precisa agora despertar para um norte também coletivo. “Não é mais um movimento organizado por sindicatos ou partidos. Somos nós que estamos nas ruas dizendo para os políticos o que queremos. Esperamos que este povo siga acordado”, disse.

Fonte: Sul 21

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