Porto Alegre pretende instalar câmeras na Redenção; prostitutas e travestis reclamam de falta de privacidade

Sala de videomonitoramento da Guarda Municipal de Porto Alegre controla 24h parques e praças da capital (Foto: UOL)

Para conter a violência, a Prefeitura de Porto Alegre pretende instalar um aparato de câmeras de segurança no parque Farroupilha, tradicional ponto turístico da capital gaúcha. Porém, a privacidade dos frequentadores noturnos do local acabou ganhando destaque na discussão.

Conhecido como Redenção, os 37,5 hectares do parque com árvores, playground, jardins e chafarizes, localizados ao lado do centro da cidade, estão há anos no meio da discussão sobre seu cercamento. A ideia da colocação de um portão de metal foi deixada de lado já que não houve consenso com a população. Entretanto, a utilização de câmeras de segurança, integradas a um sistema de monitoramento e vigilância da Guarda Civil Municipal já está em andamento e tem, até o momento, seis aparelhos.

Até agosto, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) deve se pronunciar sobre a liberação de R$ 800 mil para custear o projeto de implementação de mais 18 câmeras de vigilância na Redenção e a instalação de outras seis no parque Marinha do Brasil, que atualmente conta com nove equipamentos.

Para a Guarda Civil Municipal, os dispositivos, equipados com infravermelho, farão uma espécie de varredura no parque, principalmente nos horários de menor movimento, como as noites e madrugadas. Entretanto, são nesses momentos em que os bosques são utilizados para encontros e programas, especialmente os oferecidos por travestis.

Resistência

Redenção vai ganhar mais câmeras de monitoramento e ação tem gerado críticas de travestis, que alegam invasão de privacidade (Foto: UOL)A ideia do cercamento eletrônico está encontrando resistência entre os profissionais que trabalham à noite na Redenção, já que acreditam que as câmeras invadirão a privacidade dos frequentadores. “O cercamento é negativo, porque nunca um parque da sociedade civil deve ser cercado. As câmeras ajudam a identificar as pessoas que cometem delitos, mas minha preocupação é o que será feito com as imagens. De noite, há prostituição no local. E tem clientes que não vão querer aparecer”, afirma a presidente da Associação Igualdade Rio Grande do Sul, Marcelly Malta.

De acordo com o comandante da Guarda Civil Municipal, Eliandro Oliveira de Almeida, os equipamentos de vigilância serão monitorados por servidores treinados, com o objetivo de privar os usuários do parque de constrangimentos, porém ele reitera “em relação ao trabalho dos travestis, tem lugares e lugares para tudo isso. A sociedade não quer estar perto dessas situações. Se o patrulhamento irá afugentar ou não [os frequentadores] é consequência”.

No entretanto, a representante da classe reclama. “A maioria das pessoas que vão lá na madrugada é para procurar sexo, e os gays que frequentam o local, para namorar. Tem muitas pessoas públicas e conhecidas que frequentam o parque à noite e que não vão querer se expor”, avalia Marcelly. Segundo ela, principalmente de quinta a domingo, mais de 20 travestis utilizam o parque para fazer programa.

Roubos e furtos

Conforme dados da Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil, nas vias no entorno do parque, localizado no bairro Bom Fim, roubos e furtos são os crimes mais comuns. O número de roubos se mantém constante: 42, em 2007; 41, em 2008; 39, em 2009; 32, em 2010; e 47 em 2011. Já os de furtos apresentaram redução 29, em 2007; 32, em 2008; 37, em 2009; 20, em 2010; e 13 em 2011.

As câmeras auxiliarão o Ceic (Centro Integrado de Comando) –que está sendo construído e integrará informações de diversos órgãos de segurança do Estado–, proporcionando uma presença mais efetiva da Guarda Civil Municipal e da polícia no local. “O videomonitoramento vai nos respaldar a fazer ações, mas também na comprovação de que não haverá abuso de autoridade. E, se houver, poderemos identificar o servidor para que ele seja punido”, salienta Almeida.

“Temos flagrado situações em que pessoas são abordadas, mas acabamos liberando. Mas há casos em que é necessário o encaminhamento à delegacia. A tendência é que as demandas aumentem, já que com o aumento das câmeras, o nosso serviço vai se intensificar”, avalia o comandante da Guarda Civil Municipal.

“Sou a favor de mais segurança, mas contra o cercamento do parque, que é um local público”, afirma Marcelly. Caso seja aprovada pela Senasp, a instalação das novas câmeras deve ocorrer até o final do ano.

Fonte: UOL

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