Militares confessaram que foi por homofobia o motivo do ataque contra jovem após a Parada Gay do Rio

O delegado carioca Fernando Veloso, titular da 14ª DP (Leblon), informou na tarde desta quinta-feira que está esclarecido o caso do rapaz baleado no último domingo no Parque Garota de Ipanema, depois de ter participado da Parada Gay do Rio de Janeiro.

Ele confirmou que o autor do tiro é militar do Exército, lotado no Forte de Copacabana e que estava de serviço no dia do crime, juntamente com outros dois colegas de farda. Os três confessaram suas participações no ataque ao jovem. Veloso garantiu que a motivação foi homofobia.

O Comando Militar do Leste revelou a identidade de dois envolvidos no caso: Ivanildo Ulisses Gervásio e Jonatas Fernandes da Silva. Ambos são terceiros-sargentos.

O delegado chegou ao autor do disparo através da perícia nas armas apreendidas com os militares que estavam de plantão naquele dia. Apesar de o acusado ter tentado ocultar o crime repondo uma cápsula na pistola, a perícia detectou que a arma havia disparado. A bala que atingiu o rapaz é de uma pistola 9mm.

O autor, em sua defesa, disse que o tiro foi acidental. Ele vai responder por tentativa de homicídio duplamente qualificado: o crime foi cometido por motivo torpe, no caso homofobia, e eles não deram ao rapaz nenhuma chance de defesa. Além da tentativa de homicídio, os três responderão também por crime militar.

O acusado de ter feito os disparos e os outros dois militares estão detidos no Forte de Copacabana, onde deverão ser ouvidos oficialmente às 15h pelo delegado Fernando Veloso, que deverá levar uma das testemunhas do crime para fazer o reconhecimento oficial.

O estudante baleado está na 14ª DP (Leblon) com a mãe e mais quatro amigos. Eles chegaram por volta das 13h30m e entraram pela porta dos fundos do prédio.

Três testemunhas do episódio foram categóricas ao afirmar, nesta quarta-feira, que o tiro foi disparado por um homem usando farda verde As três disseram que o atirador estava acompanhado de dois colegas com a mesma farda. As afirmações foram feitas durante depoimento na 14ª DP, que investiga o crime. Policiais civis suspeitam que a vítima, por ter levado um tiro, tenha se confundido, dizendo que o atirador usava farda azul .

O rapaz disse que foi abordado por três homens que se identificaram como sendo do Exército. Segundo a vítima, muitos homossexuais estavam no local e vários foram liberados após mostrar um documento de identidade.

– Havia vários homossexuais lá, namorando. Eles chegaram dizendo que eram do Exército e perguntaram se nós sabíamos que aquela era uma área militar. Depois disso, expulsaram todo mundo. Quem estava sem identidade teve que ficar. Eu estava com identificação, mas fiquei porque meu amigo não tinha documentos – disse o estudante.

Nesta quinta-feira, a hashtag #homofobianao estava em primeiro lugar nos Trending Topics Brasil (lista dos termos mais usados no Twitter). Os internautas discutiam os episódios de violência contra gays no fim de semana, quando um rapaz foi baleado no Rio, após a Parada Gay, e um grupo de jovens foi espancado em São Paulo. Apesar de algumas pessoas utilizarem o microblog para disseminar a intolerância, inclusive por meio de um perfil favorável à homofobia, a maioria das mensagens era de apoio ao fim do preconceito.

Fonte: O GLOBO

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *