Levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem aponta que homens não cuidam da pópria saúde

Em pleno século 21, com os mais diversos avanços na medicina, o tabu ainda é o principal motivo para que o homem não cuide de sua saúde adequadamente. Levantamento realizado pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, da Secretaria de Estado da Saúde, aponta que 60% dos 2,8 mil pacientes atendidos por mês na unidade da capital apresentam algum tipo de patologia e não têm conhecimento dela. “O homem tem mania de achar que é um super-herói e que nunca vai adoecer. É uma questão cultural dos homens latinos e que é difícil de mudar”, comenta Joaquim Claro, médico chefe do serviço de Urologia do centro paulistano. Diferente da mulher, que segue uma rotina de check-ups ao longo da vida, o homem só procura o médico quando é forçado pela companheira, pela empresa ou quando já está sentindo um grande desconforto, quando não aguenta mais. “Ele tem medo de passar por exames que julga humilhantes ou que vão desabonar sua masculinidade”, analisa o médico. No so específico de exame de próstata, por exemplo, há o preconceito e a vergonha, que faz com que boa parte dos homens não realize o exame de toque, fundamental para diagnóstico do tumor.

Para Claro, o principal problema em não manter uma rotina de consultas é justamente o atraso no diagnóstico, podendo fazer com que uma simples complicação passe a ser um quadro grave, em que a única solução é a intervenção cirúrgica. “As consultas de rotina são capazes de evitar desde as doenças comuns, como crescimento benigno da próstata, até as mais graves, como câncer”, explica o urologista. Dos 2,8 mil atendidos mensalmente no Centro de Saúde do Homem, cerca de 250 passam por alguma cirurgia para retirada de cálculos renais ou operação da próstata. “Na maioria dos casos, a prevenção poderia evitar as intervenções cirúrgicas e o paciente seria tratado apenas com medicamentos”, diz o médico.

O desafio do bem envelhecer

Envelhecer com saúde é o grande desafio para o homem que ainda tem receio de pisar em consultórios médicos. “Com o aumento da expectativa de vida, o homem precisa se cuidar para chegar saudável à velhice”, avalia Carlos D’Ancona (foto), professor titular de urologia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para quem chegar bem à terceira idade está atrelado ao comportamento de prevenção. Visitar regularmente o médico, fazer exames rotineiros e anuais gerais, realizar check-ups e, principalmente, conscientizar-se de que esta postura só trará benefícios são passos que o homem precisa seguir. “O homem precisa se preparar para ficar velho. Ele só será um velho saudável se preservar a sua saúde”, avalia o especialista. Além da conscientização do paciente, D’Ancona acredita que a imprensa tem papel importante na divulgação dos benefícios da prevenção. “É muito importante a realização de reportagens sobre o tema. É uma forma de alertar o homem sobre o assunto”, avalia. Para o médico, campanhas governamentais também são eficazes para se discutir a importância da prevenção, principalmente entre os homens adultos, não acostumados aos exames de rotina. “Quanto mais se falar sobre este tipo de assunto, melhor”, opina.

Joaquim Claro afirma que as campanhas são boas, porém ainda discretas. O urologista diz que ainda quer ver ações como essas estreladas por famosos, como as que têm foco na saúde da mulher e no câncer de mama, por exemplo. Para ele, artistas sempre causam impacto maior e mais positivo nas campanhas. “A Secretaria de Estado da Saúde tem feito um grande trabalho nesse sentido e espero que um dia possamos ter campanhas ainda melhores”, diz Claro. Para o urologista, o comportamento preventivo deve ser estimulado pelos pais desde a chegada do bebê. “O acompanhamento médico deve ocorrer desde o nascimento, passando pela puberdade. Após os 40 anos, o homem precisa comparecer ao médico pelo menos uma vez ao ano. A prevenção é fundamental para se viver mais e melhor”, avalia

Fonte: Eduardo Gregori/Revista Metrópole

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