Fundo Global abre inscrições para financiamentos de projetos contra aids, tuberculose e malária

Criado em 2002, este organismo é um dos maiores financiadores de projetos contra o HIV e aids em todo o mundo. Porém, nos últimos anos tem privilegiado países de renda baixa, o que, segundo o governo brasileiro, contribuiu para que o pais tivesse seus projetos rejeitados nos dois últimos anos.

Ativistas ligados ao movimento de aids lamentam, entretanto, o fato do Brasil não ter obtido êxito junto ao Fundo, levando em conta que países como México e África do Sul, cujo patamar de desenvolvimento econômico é comparado ao Brasil pelo Banco Mundial, terem sido contemplados.

Na rodada de financiamento de 2009, por exemplo, o Fundo alegou que o Brasil não preencheu os requisitos técnicos necessários que justificassem os motivos pelos quais a sociedade civil precisariam dos fundos.

Nova estratégia

Para ser contemplado na 10ª rodada de financiamentos do Fundo, o Brasil pode mudar de estratégia. A ideia talvez seja criar projetos voltados às populações mais vulneráveis à infecção do HIV, como usuários de drogas, homossexuais e profissionais do sexo.

Gabriela Leite, (foto acima) fundadora da organização não governamental carioca de defesa da cidadania das prostitutas Davida, até já levou essa possibilidade para reuniões com representantes do Fundo na Tailândia e na
Inglaterra.

Ela disse à Agência de Notícias da Aids que pretende criar uma parceria com a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais) e com a Aborda (Associação Brasileira de Redutores de Danos) para apresentarem uma proposta conjunta ao Fundo. “Na próxima reunião do MCP (Mecanismo de Coordenação de País, instância nacional de caráter consultivo e propositivo ao Fundo) já vamos mostrar
uma carta de intenções sobre o caso”, afirmou Leite.

A coordenadora da Associação das Prostitutas da Bahia, Marilene Silva, apoia a estratégia. “Temos fatores que contribuem com a vulnerabilidade das prostitutas que vão desde violência até o consumo de álcool e outras drogas. Esse fundo seria muito bem aproveitado para as necessidades brasileiras”, comentou.

Já o coordenador do Centro de Educação Sexual (CEDUS) do Rio de Janeiro, Roberto Pereira, acredita que o fato do Brasil ser um país de renda média alta dificultaria novamente o recebimento do fundo, entretanto, ele ressalta que o combate da tuberculose, em especial nos presídios, carece de muito apoio.

Pesquisa revela alta soroprevalência entre grupos específicos

Um estudo feito com gays, usuários de drogas e profissionais do sexo de Manaus, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Curitiba, Itajaí, Campo Grande e Brasília mostrou uma taxa de prevelância do HIV bem maior em comparação à população em geral.

Segundo um levantamento feito em 2008 e 2009, a soroprevalência entre os usuários de drogas ilícitas destas cidades é de 5.9%; nos homens que fazem sexo com homens 12.6%; e nas profissionais do sexo de 4.9%.

A prevalência do HIV estimada na população brasileira em geral é de 0.6%.
Fonte: Agência de Notícias da Aids

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