Folha publica entrevista com Carlos Tufvson, que vive em união estável há 16 anos com seu companheiro

André Piva e Carlos Tufvson, “casados” há 16 anos

“JÁ SOU CASADO HÁ 16 ANOS!”
O estilista Carlos Tufvesson, 38, que chefia a Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual do Rio, que vive há 16 anos com André Piva, falou com a jornalista Mônica Bergado, da Folha de S. Paulo sobre o julgamento do STF que decidiu que casais homossexuais formam uma família com os mesmos direitos e deveres dos heterossexuais.

Folha – Como vê a decisão?
Carlos Tufvesson- É importante. Vale dizer que a decisão não equipara os gays aos heterossexuais. Mas faz valer alguns dos 112 direitos civis que nós [homossexuais] não tínhamos. Foi divino o ministro Ayres Britto dizer que heteroafetivos não serão danificados.

Você quer se casar, caso um dia seja permitido?
Sou casado há 16 anos [com o arquiteto André Piva]. Como é que eu vou dizer que o André não é meu marido? Ele é meu marido, porra! De acordo com a lei, o casamento de duas pessoas é a união delas para constituir uma família.

Há mais do que os 60 mil casais gays em união estável apontados no Censo 2010?
Quando o Censo foi na minha casa, não perguntaram se eu formava um casal. Ainda assim, achei que o número fosse ser bem menor, que levaríamos uma lavada. São 60 mil famílias à margem dos seus direitos!

“NEM OS GAYS ESPERAVAM!”
O vereador paulistano Carlos Apolinário (DEM), 59, que propôs a criação do Dia do Orgulho Hétero, comentou a decisão do STF.

Folha – Como vê a decisão?

Carlos Apolinário – Os ministros votam em dez. Com todo o respeito, deputados e senadores estão na rua, ouvem a sociedade. O Brasil não está maduro para receber essa decisão. Nem os gays esperavam isso! Se tivesse sido votado pelo Congresso, eu reconheceria.

Os casais gays não estavam privados de direitos?
Não. Agora, dão aos gays 100% dos direitos dos héteros. Uma mulher pode ter filho com um homem. Um homem com outro homem não pode ter filho. Como terão os mesmos direitos?

É o momento para a criação do Dia do Orgulho Hétero?
Uma coisa não tem a ver com a outra. O Dia do Hétero é a oportunidade de protestar contra o excesso de valorização do gay. Não precisa dizer ao gay: “Ei, camarada, que bom!”.

E a violência homofóbica?
É isolado! Na [av.] Paulista aparece endemoniado querendo bater em tudo. Em gay, em nordestino…

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