Estudante gaúcho agredido por ser gay pensou em se matar; aluno agressor foi afastado

Depois de fazer bastante barulho nas redes sociais, um estudante homossexual de 15 anos do Colégio Estadual Onofre Pires, em Santo Ângelo – RS, conseguiu denunciar a prática de bullying que vinha sofrendo.

Afastado há uma semana da escola, o estudante, que cursa o 1º ano do ensino médio, foi agredido por um colega de turma que sempre o provocava devido a sua orientação sexual. De acordo com a vítima, que registou boletim de ocorrência como lesão corporal na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), as provocações começaram depois que ele assumiu sua homossexualidade no colégio.

“Ele me deu uma rasteira e me derrubou no chão, começou a me chutar e a me dar socos. Peguei um lápis para me defender, pois ele ameaçou me dar uma facada. Se a diretora da escola não tivesse chegado para me socorrer, talvez isso tivesse acontecido. Tive ferimentos na perna esquerda e nos lábios. A orelha esquerda ficou um pouco deslocada e roxa. Naquela noite, fiquei muito mal e queria me matar. Tentei até cortar meus pulsos. Um dia depois, fui ameaçado de morte por outro colega na rua. Estou com muito medo”, relatou o estudante.

Em sua página pessoal no Facebook, o jovem chegou a pedir por socorro e a dizer que não quer entrar para as estatísticas de homossexuais mortos por homofobia.

“Antes que eu virasse mais um nas estatísticas de LGBT mortos, às vezes sinto que ninguém gosta de mim e que a única solução seria me matar, por favor alguém me ajuda!”, escreveu.

De acordo com a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (SERS), o aluno agressor foi suspenso pela direção da escola. “A escola já chamou o agressor e sua família informando que ele estava suspenso até quarta-feira (21 de março). Ele está sendo encaminhado a atividades didáticas e pedagógicas para que faça uma reflexão sobre a agressão que cometeu”, declarou Alejandro Jelvez, coordenador estadual dos comitês de prevenção de violência nas escolas da SERS.

Com este caso e mais tantos outros acontecendo pelo Brasil, torna-se um absurdo o próprio ministro da Educação, Aloizio Mercadante, dizer que “material didático não vai resolver no combate à homofobia”. Triste realidade.

Fonte: A Capa