Este é o momento do Brasil produzir vacina contra HPV, diz infectologista Davi Uip durante simpósio internacional sobre o vírus

David Uip

As declarações de Davi foram feitas no ‘Simpósio internacional sobre vacina contra HPV’, realizado na manhã desta terça-feira, no próprio Emílio Ribas, na capital paulista. Além de especialistas brasileiros, o evento reuniu médicos e pesquisadores dos EUA, da Austrália e do Reino Unido.

Nesses locais do exterior, o controle do HPV (sigla para Papilomavírus Humano) está sendo efetivo a partir da aplicação da vacina em meninas de 12 anos. As vacinas existentes no mercado são apresentadas no formato bivalente e polivalente, que abrangem os tipos mais perigosos para câncer e verrugas. No total, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), existem mais de 200 tipos do vírus.

O médico estadunidense Darron Brown, citou no Simpósio pesquisas internacionais com resultados dessa forma de prevenção. De acordo com ele, a eficácia das vacinas varia de 87% a quase 100% para as mulheres.

Contradições
Já o governo brasileiro alega que faltam informações sobre a eficácia das vacinas contra o HPV. Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, sobram perguntas sem respostas: a vacina só previne contra as lesões pré-cancerosas ou também contra o desenvolvimento do câncer de colo de útero? Qual o tempo de proteção conferido? Levando-se em conta que a maioria das infecções por HPV é facilmente debelada pelo sistema imunológico, como a vacinação afeta a imunidade natural contra o HPV? Como a vacina afeta outros tipos de HPV associados ao câncer de colo de útero e condilomas (verrugas)?

Mesmo assim, no site do Inca, consta que a Fiocruz, por meio do Instituto Bio-Manguinhos (público), já manifestou interesse na fabricação de vacina e “vem trabalhando no sentido de verificar a situação de patentes e a existência de condições técnicas e operacionais para o desenvolvimento nacional, bem como vem analisando alternativa para transferência de tecnologia”.

Em novembro do ano passado, o secretário de Vigilância em Saúde afirmou que o Ministério da Saúde estava analisando vacinar meninas de 9 a 13 anos

Relações entre HPV e HIV
A professora da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora Luiza Villa, explicou que é possível tratar as lesões causadas pelo HPV, como câncer e verrugas, mas a eliminação do vírus depende de incentivo imunológico. “Por isso o vírus é mais perigoso em pessoas com HIV/aids”, disse.

Outra relação perigosa entre os vírus é que a pessoa com HPV tem mais chances de infecção pelo HIV no caso de sexo desprotegido com parceiro ou parceira soropositivo.

Luiza mostrou dados de estudos internacionais, com participação de uma mostra da população de São Paulo, indicando que há picos de infecção pelo HPV entre as jovens sexualmente ativas e mulheres depois dos 40 anos. “As mulheres mais velhas estão buscando novos parceiros para relações sexuais”, explicou.

Fonte: Agência Aids

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *