Espanha dá asilo a gay colombiano

Do ponto de vista legal, a legislação da Colômbia pode ser considerada uma das mais avançadas da América Latina no que diz respeito a uniões entre parceiros e parceiras do mesmo sexo. Desde 2007 a lei colombiana equipara a maioria dos direitos das uniões homossexuais aos dos heterossexuais, sempre e quando estas uniões demonstram dois anos de convivência. Entretanto, a realidade é outra bem diferente e os colombianos e colombianas são discriminados cotidianamente por juízes e tabeliões que não querem aplicar a Lei. E o pior de tudo é que a discriminação, o abuso e a violência está nas ruas. Este é o caso de um gay colombiano que emigrou para a Espanha e pediu asilo político.

“Sinto uma grande libertade e tranquilidade, é uma troca substancial poder viajar e não se sentir perseguido”, afirma Manuel Velandia, (foto) de 55 anos. Velendia é um ativista gay colombiano que sofreu ameaças de morte e um atentado em sua casa de Bogotá, em abril de 2002 (lançaram uma granada contra a sua casa) por sua orientação sexual e pelo seu trabalho de defesa dos direitos homossexuais. Quando estas ameaças de morte se estenderam à sua familia, decidiu deixar seu país. “Os amigos me diziam que eu não podia continuar ali, que estava em risco toda minha familia”, recorda Velandia, que foi para a Espanha em janeiro de 2007, com ajuda da Cruz Vermalelha e da Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados (CEAR). Primeiro desembarcou na Universidade de San Sebastian e logo após em Alicante, onde cursa agora um doutorado em Enfermagem e Cultura dos Cuidados.

Agora o Governo da Espanha lhe concedeu a “condição de refugiado e o direito ao asilo” por sua condição sexual, graças a nova Lei de Asilo, aprovada no ano passado. “A Espanha reconhece plenamente a diversidade sexual, é um país exemplar, que amplia os direitos das minorias“, comenta Velandia, que colabora ativamente com o Coletivo Decide-t de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais de Alicante, e que é autor da exposição de fotografías “In-visíveis: naturezas transgressoras” (foto 2) que se pode ser vista na Universidade de Alicante até o dia 28 de abril, e que está centrada nas bonecas Barbie transexuais.

Velandia, que nasceu em 1955, em Bogotá, era professor universitario, produziu em seu país programas de rádio e televisão e escreveu artigos denunciando a “perseguição” dos homossexuais na Colômbia. “Agora poderá sair da Espanha outra vez, embora não queira voltar a Colômbia, pois já possui passaporte espanhol, para continuar lutando “”, afirma o também cofundador do Movimento de Liberação Sexual na Colômbia, de 1976  quem considera que seu único delito teria sido “ter voz e argumentos para denunciar que a Igreja Católica, a direita e os grupos paramilitares da Colômbia terem feito da homofobia sua bandeira e razãode ser para estigmatizar, excluir e discriminar os homossexuais”.

Fonte: Alvaro Llàcer, do jornal El País, com tradução de Alexandre Böer

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