Escolas ainda não sabem lidar com a diversidade sexual, afirma a Coordenadora da Rede Trans Educ, Marina Reidel

Marina Reidel

Professora há 22 anos, a educadora Marina Reidel, atualmente, faz mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na linha de Educação, Sexualidade e Identidade de Gênero. Formada em Artes Visuais e com especialização em Psicopedagogia, Marina leciona para alunos de 7 a 60 anos em duas escolas: uma localizada em Porto Alegre e outra, em Montenegro (RS).

A educadora estará em Belo Horizonte para participar do 1º Encontro Nacional da Rede Trans Educ, que ocorre simultaneamente ao 7º Encontro de Travestis e Transexuais da Região Sudeste, no campus Pampulha da UFMG entre 6 e 9 de maio. Ela participa da mesa “A diversidade sexual e as identidades de gênero nas políticas públicas de educação: cotidiano escolar e formação docente”. Ao lado dela, educadores de Minas Gerais e representantes do Ministério da Educação (veja programação). “No evento, poderemos conhecer mais as histórias de vida e profissionais de professoras e professores trans”, afirma.

Quais os desafios de ser uma educadora trans no Brasil?


O maior desafio é o de assumir esta identidade trans em um espaço diferente do normal para a sociedade. Geralmente, travestis e transexuais são vistas como profissionais do sexo e, muitas vezes, vivem à margem destes espaços, nas ruas e esquinas – então você se posicionar e assumir, isto é um grande desafio. Outro desafio é trabalhar esta comunidade escolar para romper com o preconceito e ter coragem de falar sobre os temas da diversidade sexual, identidade de gênero e homofobia.

Qual o principal objetivo da Rede Trans Educ?

A proposta da Rede trans surgiu em 2009. Ela foi construída com a colaboração de Tony Reis da ABGLT, e apoiada pela Antra através de Jovanna Baby, por ser uma rede de professoras transexuais e travestis. Um dos objetivos é criar espaços de discussão dentro do movimento através deste viés da educação. Precisamos fortalecer a rede através de propostas específicas e idealizar projetos onde possamos ser mediadoras do combate à homofobia e à transfobia dentro dos nossos Estados, já que temos professoras trans espalhadas de Norte a Sul deste país. A nossa ideia é de que o MEC reconheça essa rede e faça uma parceria para que possamos trabalhar especificamente dentro da proposta LGBT.

As escolas estão preparadas para discutir o tema da diversidade sexual?

As escolas em geral não estão preparadas para trabalhar, porque professores não estão preparados para trabalhar este e outros temas ligados aos projetos transversais. Precisamos de professores abertos e interessados e ter recursos pedagógicos para tal. Não adianta falar que o professor não trabalha se ele não tem acesso didático pedagógico para isso. Também precisamos de um “querer fazer”, mas aqui cabe salientar que temos algumas experiências pedagógicas que estão dando certo, por isso a ideia da rede de articular, fortalecer e promover experiências positivas.

Como combater a homofobia e a transfobia na escola e na sala de aula?

Só se combate o preconceito com conhecimento, vivência e diálogo. E não é no Ensino Médio apenas que devemos trabalhar estas temáticas, mas também na Educação Infantil e na Básica. Na sala de aula, temos que intervir em cada situação homofóbica ou transfóbica.

Quais suas expectativas em relação ao primeiro Encontro Nacional da Rede Trans Educ, que acontecerá em Belo Horizonte?

Quero agradecer o esforço da equipe do NUH e da UFMG em realizar este evento agregado ao 7º Encontro de Travestis e Transexuais. Sem o trabalho intenso desta equipe, nada aconteceria, porque a rede ainda não tem reconhecimento diante dos órgãos federais, estaduais e municipais. Espero que deste encontro possamos traçar outros.
Fonte: Rede Lac Trans Edu

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