Equador produz campanha contra violência por identidade de gênero

Mulheres transexuais equatorianas protestaram contra os crimes de ódio cometidos contra a comunidade e iniciaram uma campanha, denominada “tacones blancos”, na cidade de Quito, destinada a tornar visível a realidade que enfrentam as pessoas trans, nomeadamente sobre a violência exercida contra elas.

Coincidindo com o primeiro aniversário do assassinato da ativista transexual Maylin, de Chone (Equador), em 22 de janeiro, o Projeto Transgénero Corpos Distintos Direitos Iguais impulsionou a iniciativa, que visa denunciar a impunidade que beneficiam os crimes cometidos contra mulheres transexuais, específicamente contra as trabalhadoras do sexo. A violência a que são submetidas e mesmo os casos mais graves que acabam em mortes, ficam muitas vezes impunes e sem denúncia, mesmo pelos próprios familiares.

Maylin vivia na luta dos pobres com uma amiga, Belinda. Muitos chamavam-na de Dona de La Y. A 22 de Janeiro de 2009, a meia-noite, Belinda pede a Maylin para irem para casa, mas ela quis ficar. No dia seguinte, Belinda soube da morte da sua amiga. Localizou a família, disse-lhes que tinha sido cabeleireira, que foi para a dança … Eles revistaram o seu quarto, procurando algo de valor. Ela não tinha nada.

Em Quito lembram-se as pessoas que morreram em acidentes rodoviários com um coração azul ou acidentes com ciclistas com bicicletas. Neste caso será com corações vermelhos e estampas brancas de saltos no asfalto, que procuram dar o testemunho do que sofrem as pessoas transexuais para, de acordo com membros do movimento que lidera a iniciativa, pelo menos não deixar que vítimas como Maylin sejam esquecidas.

Com tinta spray vermelha sobre uma forma de coração a partir de um molde de jornal, colocado na calçada, seguido de um desenho de saltos com spray branco foi a maneira que estas ativistas transexuais encontraram para dar a visibilidade.

Pelas 23h de sexta-feira do dia 22 de Janeiro, reuniram-se na av. 10 de agosto, perto da zona Y, ao norte da capital. Numa marcante procissão lá avançaram, com rosas brancas e vermelhas.

Esta é uma das áreas onde o trabalho sexual por transexuais é realizado em Quitons. Não existe um censo para saber quantas existem.

A ideia surgiu a partir do Projeo Transgénero Corpos distintos, direitos iguais. Este grupo também formou a Confederação Equatoriana de Comunidades Trans e Intersex em 2009, que conta com cerca de 300 participantes.

Pela meia-noite condutores de automóveis que passam pela av. 10 de Agosto diminuem a velocidade para ver a cerimónia simbólica. Grande parte dos motoristas aceleram ao cruzarem o olhar com elas. Os curiosos rodam devagar muito perto da calçada. Olham, não entendem e aceleram. Outros são clientes irritados. Naquela noite, nenhuma delas quer trabalhar, é um ato de solidariedade e um grito de respeito.

Ana Almeida, diretora do Projeto Transgênero, confirma que mais corações serão pintados de vermelho. A maioria desses casos não são notificados. As vítimas vivem numa família coletiva, excluídas pelos seus familiares embaraçados. “Eles levam o cadáver e tudo fica impune”, acusa Almeida. “A Constituição reconhece famílias diversas. Nós queremos ver as companheiras como uma família, por exemplo. Isso poderá avançar com as medidas legais”, acrescentou.

Assista a campanha aqui:

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