Emir Sader não será nomeado para Fundação Casa de Rui Barbosa

A assessoria de imprensa do Ministério da Cultura informou que Emir Sader não será nomeado para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. O sociólogo estava prestes a ser nomeado para o órgão do Ministério da Cultura, sediado no Rio de Janeiro. “O nome do novo dirigente será anunciado em breve”, diz a nota oficial. 

No último domingo, a Ilustríssima publicou reportagem (para assinantes) na qual ele se referiu à ministra Ana de Hollanda como “um pouco autista”. Sader falou ainda sobre o delicado tema dos cortes orçamentários, sem que a Folha (fonte desta matéria) tivesse feito perguntas a respeito. Emir Sader não pediu “off”, recurso utilizado por jornalistas e fontes jornalísticas para passar informações importantes sem que seu nome seja identificado.

O sociólogo rebateu a reportagem em seu blog: “As referências, antes de tudo à Ministra da Cultura, mas também ao Gil e ao Caetano, apareceram de forma totalmente deturpada”.

O tema dos cortes foi introduzido durante a exposição de seus planos para os seminários da Casa Rui: “Vamos ver com que ritmo a gente consegue organizar, né? Até porque vai ter corte de recursos…”, disse Sader, para retomar, mais adiante: “Tem corte, o orçamento é menor, tem corte e tem dívidas. Desde março não se repassou nada aos Pontos de Cultura. Teve uma manifestação em Brasília. Está estourando na mão da Ana porque ela fica quieta, é meio autista”.

PONTOS DE CULTURA
Na mesma passagem, Emir Sader qualifica o formato de convênio dos Pontos de Cultura, programa que é a menina dos olhos dos ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, como “um desastre”, e se refere aos conveniados do Pontos, espalhados pelo Brasil, como “merdinhas”. Os Pontos de Cultura em princípio não fazem parte do escopo de atuação da Casa de Rui Barbosa e também foram espontaneamente introduzidos na entrevista por Emir Sader.

A seu ver, o sistema de prestação de contas seria a causa da ausência de repasses que motivou as manifestações em Brasília: “O formato convênio foi um desastre. Porque convênio tem que ter prestação de contas. Uma empreiteira vai construir uma ponte. Agora um ‘merdinha’ que recebe R$ 15 mil não sei aonde, o cara não consegue prestar contas”.

Emir Sader discorre ainda sobre os “grandes temas” que pretende levar para os seminários da casa, que foram objeto de críticas por parte de intelectuais, pela intenção de levar temas alheios à linha de pesquisa da casa e com viés governista.

Um desses seminários seria sobre propriedade intelectual, por ele chamado de “tema pendente”: “Vamos aproveitar, já que [o debate] não foi ao Congresso”. Trata-se de um assunto particularmente sensível na Casa de Rui Barbosa, uma vez que a instituição lida com a propriedade intelectual em sua materialidade (arquivos, esboços, diários, cartas, fotos etc.), muitas vezes às voltas com herdeiros idiossincráticos ou exigentes.

Cultura e políticas culturais eram outros temas que Sader pretendia abordar. Sem mencionar a produção do setor da Casa Rui responsável por políticas culturais, o sociólogo elogia a equipe montada pelo ministro Gilberto Gil no Ministério da Cultura e expõe novamente a sua concepção de que os intelectuais devem dar amparo teórico às políticas executadas pelo governo.

“É uma meninada boa”, disse, “que com o Gil se meteu nisso de cabeça, e foi tropeçando, foi criando, é muito legal, uma geração nova, que tá mexendo com museu, com patrimônio, não sei que lá, e a universidade tem que ter o papel de dar os fundamentos teóricos”.

Fonte: Folha de São Paulo. Repórter: Paulo Werneck.

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