De volta ao passado – escola infantil separa meninos de meninas

Uma escola infantil em Curitiba, no Paraná, adotou um sistema de ensino diferente dos dias de hoje, mas bem próximo do início do século passado. Lá, os meninos estudam em salas separadas das meninas. Eles só têm aulas com professores, e elas, com professoras. Nem na hora do intervalo os estudantes se misturam.

Os pais que escolheram matricular as crianças neste colégio ressaltam as vantagens da separação. Ney Kloster, pai de um estudante, afirma que a convivência entre meninos e meninas atrapalha o ambiente escolar:

– No recreio de uma escola mista, os meninos vão brincar para um lado e as meninas vão para outro. Quando você tem que fazê-los interagir, é uma complicação. Eles têm dinâmicas diferentes.

De acordo com a direção do colégio, essa é uma tendência internacional, baseada em pesquisas que mostram que meninos e meninas têm respostas diferentes à aprendizagem. Além disso, a separação fortaleceria a identidade sexual:

– Separamos meninos e meninas pelo perfil que cada um apresenta, que é diferente. Se considerarmos que a escola é um local essencialmente [voltado] para a aprendizagem, estando separados os dois sexos, ela ocorre de maneira mais satisfatória. Também se vê, além do sucesso da aprendizagem, a consolidação da feminilidade e da masculinidade.

Este tipo de sistema é uma prática do século passado. Com o passar dos anos, a educação brasileira passou a adotar o ensino misto. E, para muita gente, como a especialista em educação Laura Monte Serrat Barbosa, voltar ao sistema antigo é um retrocesso:

– A gente aprende a diferença com a convivência com o diferente, e não na segregação.

O programa pedagógico ainda não foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação do Paraná, mas ela pode funcionar enquanto não recebe um parecer definitivo.

Segundo o médico e professor de Psicologia Cultural Leo­nardo Amaya (foto) “a proposta não pode ser confundida com machismo. Não estou dizendo que os homens são melhores, mas que as mulheres são melhores. Na verdade existem características biológicas cerebrais diferenciadas”. Essa proposta está sendo contestada por especialistas em educação e pelo movimento LGBT.

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