Corpo e erotismo – é temporada de dança e intervenções em Porto Alegre

“A Dança está de olho na cidade”

Dança, performance e arte urbana serão vistos e vivenciados nas ruas de três bairros de Porto Alegre: Floresta, Rio Branco e Azenha, a partir do dia 6 de julho, através do projeto “Olho 3”, da coreógrafa Jussara Miranda, do Muovere Cia de Dança, desenvolvido em parceria com o Ponto de Cultura SOMOS LGBT, do Rio Grande do Sul.

Os Pontos Bairros escolhidos são o cruzamento da av. Cristóvão Colombo com Benjamin Constant, na av. Azenha; nas proximidades da antiga Casa Lu e; ainda, em baixo do viaduto da Mariante na av. Protásio Alves.

OLHO3 traz performers e artistas de identidade LGBT, como gogoboy e drag queen reconhecendo suas personagens, contextos e situações, como protagonistas e interagem com os passantes. É um golpe de vista, cuja interrupção no cotidiano DIA se traduz numa bricolagem, resultado da interação estética entre linguagens de dança produzidas no contexto das artes cênicas, enquanto espaço de treinamento, e no da dança LGBT, enquanto espaço de exibição. O tema foca na diversidade de gênero, um bom tema sociológico e comportamental, já que de inicio, este encontro entre estéticas performáticas e poéticas sociais aponta dimensões tão importantes a serem refletidas.

O OLHO 3 – foi contemplado pelo Prêmio Interações Estéticas Funarte 2009 e pretendia, num primeiro momento transpor os limites do preconceito através da linguagem da dança, exibindo identidades artísticas de gêneros com toda a sua potencialidade artística, a serem assimilados por seus performers, como protagonistas admirados. Também tinha como objetivo dar a ver e significar a orientação sexual como propriedade humana adversa dos padrões impostos. Por segundo, a dança contemporânea supõe a contemporaneidade, o que inclui as mais diversas proposições e experiências, principalmente aquelas que podem e devem transversalizar conceitos e paradigmas sociais que refletem preconceitos.

O desafio é o de verificar a funcionalidade dos contextos coreográficos em seus corpos, sujeitos às tantas referências e informações simultâneas provocadas pelo interesse na diversidade de gênero. Atualizações coreográficas, movimentos cotidianos e não cotidianos, quebras, colagens e escolhas diversas resultam na visão do cotidiano da noite.

Painéis artísticos

Ao final da semana, cada Ponto Bairro receberá uma instalação de painéis artísticosde grande escala em um muro próximo, transformando o visual do Ponto, num ambiente de vivência e socialização entre as pessoas que compõem a comunidade. Os painéis serão criados pelo artista visual Sandro Ka, que também compõem a diretoria do SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade.

Veja a tabela de apresentações:

(clique na imagem para aumentar)

Mais Dança


Estréia na orla da Usina do Gasômetro “Glórias do Corpo“, nos dias 26 e 27 de junho e, após, mais seis intervenções irão acontecer na sequência em outros quatro parques de Porto Alegre.

Glórias do Corpo, é uma série de oito intervenções de dança que reúne o talento de três experientes artistas gaúchos: Eduardo Severino, Luciana Paludo e Luciano Tavares. A primeira etapa do projeto se realizará nos dias 26 e 27 de junho e 03 e 04 de julho, nas ilhas esportivas da orla da Usina do Gasômetro, e prossegue no dia 10 de julho, na Redenção; no dia 11, na Praça da Encol; no dia 17, no Parcão, e no dia 18, no Parque Germânia. As intervenções ocorrerão sempre aos sábados e domingos, às 16h. A iniciativa tem o financiamento do Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre (Fumproarte) da Prefeitura de Porto Alegre.

A concepção

O trabalho coreográfico Glórias do Corpo se inspira no discurso sobre o corpo, vigente na sociedade contemporânea; na verdade, se propõe a observar corpos em movimento para, a partir disso, re-colher percepções e sensibilidades. Aborda questões entre o movimento mecânico e o movimento expressivo que vira dança; o que distingue um do outro?

Três corpos que interagem, com o ambiente; espaço, tempo, movimento, forma, relação e energia. “A ação inicial foi ao ar livre, onde buscamos inspiração com o movimento dos transeuntes e ocupantes dos lugares destinados à prática de exercícios, em nossa sociedade”, comenta o bailarino e coreógrafo Eduardo Severino.

“Em nossas primeiras experiências como ‘ocupantes das ilhas’, pudemos observar que deslocamos as funções iniciais dos objetos postos nessas ‘ilhas esportivas’ (recantos esportivos); passamos a prestar atenção em sua forma, volume e densidade”, relata Luciana Paludo. “A função daquele aparelho ganha outro status, assim como o corpo na dança, em relação ao movimento. Num primeiro momento, as ‘ilhas esportivas’ nos serviram de cenário, de espaço cênico, de inspiração para criarmos estas relações – a partir de observações destas diferenças, entre o fazer mecânico e o fazer poético”, explica a bailarina.

O trabalho terá uma segunda etapa – que ocorrerá num espaço cênico fechado, teatro – e que tem estréia prevista para o segundo semestre deste ano. A proposta é de que a partir das experimentações dos artistas nas praças, nas ilhas esportivas, seja levado para dentro de um espaço fechado estas vivências coreográficas, ou seja, transportar, adaptar e transformar a dança experimentada (movimento expressivo que vira dança) com o movimento “comum” ( movimento mecânico), de corpos que não dançam, mas, que buscam o movimento.

E neste domingo, 27 de junho, às 16h, tem a estréia do projeto Usina na Praça, onde poderemos conferir o excelente trabalho do Grupo Terpsí. O trabalho será apresentado na praça anexa ao Centro Cultural Usina do Gasômetro.

A companhia, que comemora 23 anos de existência, apresenta fragmentos do espetáculo “Ditos Malditos: Desejos da Clausura” nesta 7ª edição do projeto. A entrada é franca.

“Desejos da Clausura” é o novo processo de pesquisa e criação da Terpsí Teatro de Dança que recebeu o Prêmio FUNARTE de Dança Klauss Vianna 2008.

Refere-se às inquietudes sobre o amor, solidão, poder e morte que perpassam as obras de escritores e artistas considerados malditos como: Jarry (Ubu Rei), Beckett (A Cadeira de Balanço), Alan Poe (O Corvo), Caio Fernando Abreu, Augusto dos Anjos, e interferência de Sartre, Duchamp e Van Gogh. A proposta busca enfocar a ambigüidade dos personagens que é desvendada a partir do olhar do observador.

“Desejos da Clausura” surgiu dos desejos da própria Terpsí Teatro de Dança e dos espectadores que colaboraram durante a Instalação Coreográfica em 2008/2009. Dessa forma foi surgindo a imagem de desejos congelados em um frigorífico que evidenciam o paradoxo entre, o congelar para preservar e o congelar para destruir salvaguardando a morte que serve de alimento para a vida.

Pessoas III – As Memórias poderá ser visto, em primeira mão, no próximo dia 29 de junho, às 21h, no Teatro Renascença (Av. Érico Veríssimo, 307).

Esta é a terceira parte da trilogia PESSOAS, em continuidade ao trabalho acerca da obra de Fernando Pessoa e seus heterônimos. Inspirada na obra do heterônimo Ricardo Reis, Pessoas III – As Memórias, um espetáculo repleto de dança e poesia, onde a palavra percorre os domínios do corpo.

Um espetáculo de dança contemporânea, coreografado e dirigido por Ivan Motta.

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