CARTA ABERTA E NOTA DE REPÚDIO A ADROALDO STRECK E AO JORNAL O SUL

Em sua coluna de hoje, quinta-feira, 23 de janeiro de 2014, no jornal O Sul, de Porto Alegre, o jornalista Adroaldo Streck escreve:

“A Rede Globo de Televisão está terminando uma novela com a maior quilometragem de homossexuais por metro quadrado. Repito: não tenho nada contra o homossexualismo. Uma doença que sempre existiu, desde que o mundo é mundo. O que não me parece pertinente é a maneira como uma poderosa rede de TV insiste no tema. Estão querendo ‘homossexualizar’ o País na marra?”

As palavras emitidas por Streck configuram um claro discurso de ódio, preconceito e discriminação. Além de reacionária, a formulação de seu pensamento se baseia em desinformação ao relacionar a homossexualidade à doença. Para informação do colunista, faz mais de 20 anos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista de doenças, reconhecendo-a como uma das inúmeras possibilidades de manifestação da sexualidade humana. Portanto, a designação correta para o termo é homossexualidade, à medida que o sufixo ismo designa doença.

Mesmo que ainda de forma tímida, a mídia vem oportunizando e dando visibilidade, ao poucos, a outras formas de vivência da sexualidade que diferem do padrão heteronormativo, ou seja, daquele que compreende a heterossexualidade como norma e padrão para a sexualidade. Além disto, a visibilidade de forma positiva e retratando a diversidade da sexualidade através de personagens em espaços como novelas de grande acesso popular, é um potente meio de redução de estigma e preconceitos, pois oportuniza que pessoas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais se reconheçam e possam se constituir também através de outros referenciais. Acreditamos que a novela mencionada por Streck tem cumprido um papel de grande valor social, ao contrário da utilização feita pelo colunista no jornal O Sul, em que ocupa o espaço para desvalorizar cidadãos e cidadãs e imprimir ódio e preconceito, baseados em desinformação, ignorância e má-fé.

Cabe aos Governos se dedicarem à formulação e à implementação de Políticas Públicas que diminuam o preconceito e à discriminação contra pessoas LGBT e não fazer controle e censura baseados em um posicionamento fundamentalista e moralizante.

Desta forma, a partir de denúncia formalizada pelo Programa Gay, os grupos SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade, G8-GeneralizandoIgualdade-RS e a Liga Brasileira de Lésbicas (LBL-Sul) representando as vozes e as forças do Movimento LGBT e dos Direitos Humanos, repudiam a postura do jornalista Adroaldo Streck e do Jornal O Sul, bem como solicitam retratação do colunista e do veículo e direito de resposta, por ser papel de todos e todas que lutam contra quaisquer formas de preconceito e que acreditam na possibilidade de uma sociedade mais igualitária e plural.

Veja a coluna: >http://www.pampa.com.br/novo/jornalosul/colunista.php?colunista=AdroaldoStreck

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