Candidatos têm poucas propostas para LGBTs

IMAGEM-GOOGLEPor Fernanda Nascimento | Jornal do Comércio

As mudanças no plano de governo da candidata à presidência Marina Silva (PSB), no eixo de políticas para população LGBT, movimentaram o cenário nacional nas últimas semanas. Marina foi criticada pelas alterações, viu o coordenador da setorial LGBT do partido se retirar da campanha e tem enfrentado uma enxurrada de perguntas sobre a agenda a cada entrevista.

A questão nacional também se tornou local e alguns candidatos ao Palácio Piratini começaram a explicitar seus posicionamentos sobre o tema. O Jornal do Comércio fez um levantamento a partir dos programas de governo dos postulantes a comandar o Estado e constatou que a temática é explorada por poucos candidatos.

O governador Tarso Genro (PT), da Unidade Popular pelo Rio Grande (PT, PCdoB, PTB, PR, PPL, PTC e Pros), é o candidato com mais proposições sobre o tema. Em seu mandato, o petista instituiu a criação do Conselho Estadual LGBT e a carteira social para pessoas transexuais e travestis – ambos através de decreto, já que a base aliada não tem acordo sobre o tema.

No plano de governo, Tarso apresenta 18 propostas para este segmento, entre elas o oferecimento de editais da Secretaria de Cultura para projetos de resgate de memória LGBT, “a doação de espaços públicos fechados para sedes de ONGs LGBTs” e a implantação de uma disciplina sobre diversidade sexual e de gênero na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).

O candidato Roberto Robaina (P-Sol), da Frente de Esquerda (P-Sol e PSTU), também destina uma parte específica de seu programa para falar sobre o tema. Sua candidatura apresenta quatro propostas voltadas para esta parcela da população.

O candidato propõe a criação de uma Lei Anti-Homofobia estadual, apoio aos movimentos LGBTs – a coligação usa a sigla GLBTT – para a aprovação da criminalização da homofobia e de casamento igualitário, em nível nacional, além do estímulo e desenvolvimento de “ações intersetoriais de educação em direitos humanos e respeito à diversidade”.

Vieira da Cunha (PDT), da coligação O Rio Grande Merece Mais (PDT, DEM, PSC, PV e PEN), apresenta uma proposta para direitos humanos, cidadania e assistência social, na qual afirma que “dará atenção especial aos grupos sociais mais vulneráveis, como idosos, crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, jovens, negros, índios, homossexuais e todos que sofrem qualquer discriminação”. Mas das 12 ações concretas apresentadas pelo candidato, neste eixo, nenhuma se refere especificamente à agenda LGBT.
A candidata Ana Amélia Lemos (PP), da coligação Esperança que Une o Rio Grande (PP, SDD, PSDB e PRB), apresenta entre as diretrizes de sua gestão a “garantia dos direitos das minorias e respeito à diversidade”. “A violência praticada contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais será combatida implacavelmente no nosso governo”, diz o texto.

Os candidatos José Ivo Sartori (PMDB), da coligação O Novo Caminho para o Rio Grande (PMDB, PSD, PSB, PPS, PTdoB, PHS, PSL e PSDC), e Humberto Carvalho (PCB) não apresentam nenhuma proposta para a população LGBT em seus programas. Edison Estivalete Bilhalva (PRTB) não retornou as ligações da reportagem.

Fonte: Fonte Jornal do Comércio