Acontece hoje o VIII Seminário LGBT no Congresso Nacional

Por Luiz Felipe Zago
De Brasília

Dezenas de militantes e ativistas do movimento LGBT brasileiro estiveram presentes hoje no Auditório Nereu Ramos, Congresso Nacional, para prestigiar a abertura do VIII Seminário LGBT. O Seminário antecede a II Marcha Contra a Homofobia e na primeira mesa do dia contou com a presença do deputado federal pelo Rio de Janeiro Jean Wyllys, coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania LGBT, da deputada federal pelo Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila e do conterrâneo deputado federal Paulo Pimenta. Ainda participaram a senadora Marta Suplicy, a deputada Fátima Bezerra e o presidente da ABGLT Toni Reis. O Hino Nacional foi interpretado pela cantora Wanessa (outrora Camargo).

Em seu discurso, Jean Wyllys sublinhou o trecho do Hino Nacional “verás que um filho teu não foge à luta” para saudar os/as participantes do Seminário. O deputado do PSOL pelo Rio reforçou a necessidade do reconhecimento e garantia dos Direitos Humanos de LGBT, da importância de eventos como aquele e passou a palavra para Marta Suplicy.

A senadora paulista falou sobre os avanços na conquista dos direitos LGBT nos últimos anos e fez alusão à campanha lançada pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pelo combate à homofobia no estado. Durante seu discurso, Marta assumiu o compromisso de levar adiante a votação do PL 122, que criminaliza a homofobia. Ao fim de sua fala, Marta lembrou das muitas lutas diárias dos/as militantes e ativistas pelos Direitos Civis dos/as LGBT e disse: “é a vocês que devemos as conquistas que estamos tendo”.

Durante sua fala, Mauela D’Ávila enfatizou a escola como espaço onde o preconceito precisa ser combatido. A deputada afirmou que a escola é o local onde precisamos construir o mundo onde queremos viver. Manuela também saudou a presença das cantoras Preta Gil e Wanessa afirmando que ambas são aliadas corajosas para o ativismo pelos Direitos Humanos LGBT, e o público aplaudiu fortemente. Citando Boaventura de Sousa Santos, a deputada se colocou contra a ideia de “tolerância” e propôs a dignidade, a igualdade e o respeito para com as diferenças. “Criminalizar a homofobia não é censurar; mas é uma forma de parar com a violência cotidiana e histórica contra homossexuais”, disse ela.

A deputada federal Fátima Bezerra ressaltou que a militância ainda tem muita luta para conseguir avanços no âmbito do legislativo. Lembrou o PL 8085, que constitui o Plano Nacional de Educação (PNE). Fátima falou da necessidade de incluir o debate sobre diversidade sexual e enfatizou a importância de avançar politicamente na construção do Plano. “Queremos tão somente que a Constituição seja respeitada” e reforçou a necessidade de o movimento LGBT participar da construção do PNE.

Toni Reis, presidente da AGBLT, conclamou os/as participantes a usarem palavras de ordem dentro do auditório, num ensaio do que acontecerá amanhã durante a II Marcha Contra a Homofobia. Toni chamou seu companheiro, David, para se juntar a ele no púlpito enquanto proferia seu discurso. O público pediu por um beijo, mas o casal se limitou a dar um beijo de bochecha. Toni leu as reivindicações da ABGLT e reforçou o tom político e militante do evento.

O deputado gaúcho Paulo Pimenta fez uma fala contra os estereótipos reducionistas sobre os/as LGBT e mostrou preocupação com o editorial do dia de hoje do jornal Folha de São Paulo, que diz que é importante a garantia dos direitos de pessoas LGBT mas que essa garantia pode significar um cerceamento da liberdade de expressão. Citando a colega de mesa, deputada Manuela D’Ávila, Pimenta disse: “vocês não serão os algozes da democracia”.

O VIII Seminário LGBT acontece ao longo desta terça-feira e antecede a II Marcha Contra Homofobia.

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