Steven Klein mostra suas fotografias e fetiches em São Paulo

A cantora Madonna pelas lentes de Klein

Steven Klein gosta do desarranjo. Se o objeto diante da lente é belo demais, tipo Angelina Jolie, Brad Pitt e seus amigos de Hollywood, algo precisa sair do lugar, ou melhor, sangrar, doer, explodir em contorções bizarras.

Não é dele a ideia de injetar o fetiche, pulsões entre vida e morte, na arte e muito menos na fotografia de moda, mas Klein sabe vender isso talvez melhor que seus colegas que fincaram raízes na fotografia chamada artística.
Suas imagens agora juntas numa exposição no MuBE deixam isso claro. Não é o rosto de feições adolescentes de Justin Timberlake que aparece no retrato, mas o cantor com a boca arrebentada, os dentes sujos de sangue.

Jolie e Pitt alternam cenas domésticas com os filhos, na piscina de plástico do jardim de casa, com uma brincadeira com um revólver na cama.

Tudo parece beirar o normal, mas é o absurdo que prevalece como verniz vendável, o marketing viscoso deste e de todos os ensaios de moda para revistas de celebridade.
Klein opõe a carne humana, frágil e sujeita à decomposição, à plasticidade perfeita de roupas, taças de martíni, peças e personalidades que servem de âncora de um glamour rasteiro, feito para deslumbrar em massa.

Não é por acaso que um de seus retratados na mostra é Helmut Newton, um dos fotógrafos que começaram essa onda, fazendo uma modelo ficar de quatro e usar uma sela e pondo outra para desmembrar um frango usando enormes diamantes.
 
STEVEN KLEIN
QUANDO de ter. a dom., das 10h às 19h; até 28/8
ONDE MuBE (av. Europa, 218, tel. 2594-2601)
QUANTO grátis

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