O preconceito politicamente correto

por Alex Vicente Spadini*
Nos últimos anos o Movimento LGBT tem feito grandes avanços no Brasil. Na área política e judicial os direitos dos homossexuais têm avançado aos poucos, mas inexoravelmente. Hoje já se fala da equiparação do casamento para casais de mesmo sexo e criminalização da homofobia.             

O Brasil está passando por uma transição, de um país majoritariamente religioso e preconceituoso, para um país mais tolerante e defensor da igualdade sexual. Entretanto, nessa transição ainda se vê resquícios de uma violência escancarada, violência física e psicológica contra homossexuais e transexuais. Notícias de agressões em grandes cidades, assassinatos no interior e figuras políticas radicais como Jair Bolsonaro e sua turma, propagandeando a violência e intolerância, sustentados pela ignorância que ainda predomina em nosso país. Tais fatos evidenciam a imperiosidade da criminalização da homofobia.

Por outro lado, existe uma forma de preconceito velado, preconceito politicamente correto, preconceito do século XXI. Hoje, se dizer contra os direitos LGBT não é politicamente correto e amplamente criticável, por isso, muitas pessoas são adeptas do velho “respeito, mas não aceito”. Essas pessoas que sentem os direitos LGBT serem “enfiados goela abaixo”, que se dizem respeitosos, mas não aceitam ver um casal homossexual andando de mãos dadas nas ruas, são o exemplo da dificuldade dessa transição. Muitas pessoas ainda afirmam que gays devem ter seus direitos respeitados, ou ainda afirmam ter amigos gays, mas sentem nojo ao verem um casal homossexual beijando-se. Exemplos típicos são os que se dizem católicos, maioria dos brasileiros, até os que freqüentam assiduamente a igreja, mas respeitam os homossexuais, contanto que não os veja, as mulheres que adoram confiar seus segredos ao seu amigo gay, mas não quer saber da vida dele ou ainda o pai de família que diz “não ter nada contra”, mas que espancaria seu filho se ele fosse homossexual, a pessoa que diz “tudo bem ser gay, mas não precisa mostrar em público”, que acha absurdo seus filhos terem de ver um casal homossexual na rua, mas não vê problema neles verem as capas de revistas pornográficas escancaradas nas bancas, ou os programas “familiares” da televisão com mulheres seminuas dançando.

Esse preconceito talvez seja o pior de todos, certamente é o mais difícil de combater, pois não depende apenas da educação da população e do bom exemplo dos homossexuais, mas de uma mudança de pensamento, de uma longa aceitação das diferenças, do combate pessoal ao estranhamento inicial que um casal gay na rua provoca. O fim desse preconceito depende, principalmente, da boa vontade das pessoas dispostas a mudá-lo e das novas gerações, naturalmente mais tolerantes. Cabe a nós, hoje, nunca vacilar na educação e no exemplo e combater arduamente a violência promovida por aqueles nada dispostos a evoluir.

*Alex Vicente Spadini tem 20 anos de idade, é estudante do quinto semestre do curso de medicina da UFCSPA.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *