Justiça carioca decreta prisão de militar que baleou jovem gay

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva do sargento do Exército Ivanildo Ulisses Gervásio, acusado de atirar na barriga de Douglas Igor Marques, 20 anos, quando o jovem saía da Parada Gay no Arpoador, em novembro do ano passado. O motivo da prisão é o fato de que o militar estaria constrangendo testemunhas do processo.

Ivanildo estava acompanhado de outros dois militares quando atirou contra Douglas, em novembro de 2010. Os militares foram presos administrativamente no Forte Copacabana e alegaram que teriam sido “desafiados” pelo estudante.

Na ocasião, o sargento foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima, com dolo eventual. Segundo a polícia, o autor do disparo alegou que manuseava a arma apenas para intimidar o jovem. Além da polícia, o Exército fez uma investigação paralela do caso para analisar as armas e os vestígios de pólvora nas mãos dos militares. Mas como o episódio foi fora da área militar, o caso saiu da Justiça Militar.

Entenda o caso
No dia 15 de novembro de 2010, a mãe de Douglas Igor Marques, a estudante de direito Viviane, 37 anos, disse que o filho tinha saído da Parada Gay e seguido para as pedras do Arpoador com um grupo de amigos. O local é conhecido como ponto de encontro de homossexuais e estava lotado. Três militares fardados, do Forte de Copacabana, que fica ao lado, chegaram ao local pressionando os frequentadores a sair. Douglas acabou sendo abordado por eles.

Ainda segundo Viviane, o filho contou que os militares pediram a identidade dele e o telefone da família. Após cumprir as exigências, ele disse que os militares perguntaram se seus pais sabiam de sua presença no local e que seria homossexual. O estudante teria respondido que a mãe sabia de sua condição de gay, o que teria irritado os militares. Em seguida, o jovem teria sido agredido com um soco no rosto por um deles e depois atingido com um tiro de pistola na barriga.

“O meu sentimento é de indignação com esse preconceito idiota. Sou estudante de Direito e para mim esse tipo de coisa é difícil de aceitar”, protestou Viviane. Douglas foi levado por policiais do 23º BPM (Leblon) para o Hospital Miguel Couto (HMC), na Gávea. O tiro perfurou lateralmente o abdômen do jovem.

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