Homem confessa agressão a pai e filho por confundi-los com casal gay e é liberado

Um dos homens suspeitos de espancar pai e filho em São João da Boa Vista (216 km de São Paulo) por achar que eles eram um casal gay foi preso na tarde da última terça-feira, 19 de julho, e confessou ter participação do crime. Após ficar detido por algumas horas na delegacia, ele foi liberado já que a Justiça não aceitou o pedido de prisão temporária contra ele.
Na agressão, o pai, de 42 anos, teve parte da orelha decepada depois de levar uma mordida de um dos agressores. Ele e o filho, um estudante de 18 anos, estavam abraçados quando foram cercados por sete homens e espancados na madrugada de sexta-feira, 15 de julho, na festa EAPIC (Exposição Agropecuária Industrial e Comercial), que acontece na cidade.
Outro suspeito foi identificado pela polícia, mas não havia sido localizado nesta terça-feira. Os dois não tiveram a identidade divulgada pela polícia e vão responder pelo crime de lesão corporal dolosa (quando há intenção de ferir outra pessoa). A pena prevista vai de dois a oito anos de prisão, caso sejam condenados.
O pai e o filho agredidos também pediram à polícia para não ter os nomes revelados.
A Justiça não aceitou o pedido de prisão temporária sob a alegação de que a Lei da Prisão Temporária, nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, não prevê este tipo de detenção para o crime de lesão corporal. Com isso, os suspeitos responderão ao crime em liberdade.
A identificação dos dois suspeitos ocorreu com a ajuda de câmeras do circuito interno de vídeo da exposição agropecuária, segundo a Polícia Civil.
O pai foi espancado e relatou à polícia que a agressão começou depois que o grupo passou diante dele e do filho e questionou se ambos eram gays por estarem abraçados. Eles responderam que eram pai e filho e o grupo passou então a persegui-los.
Os agressores retornaram alguns minutos depois e os agrediram com chutes e socos. O filho teve ferimentos leves e o pai precisou ser socorrido no hospital da cidade.
O pai foi ouvido nesta terça-feira pela Polícia Civil da cidade. Ele disse que não tinha como reconhecer os agressores porque desmaiou durante as agressões. Uma testemunha também confirmou a agressão em depoimento ao delegado Fernando Zucarelli Pinto.
O filho agredido mora em São Paulo, onde estuda. A namorada dele estava na festa, mas no momento das agressões havia ido ao banheiro e não presenciou o crime, segundo a polícia.
A organização da festa informou que vai colaborar com as investigações e que ao menos 150 homens faziam a segurança do recinto. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e deve ouvir mais testemunhas nesta quarta-feira, 20 de julho.

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