Morre Rudolf Brazda, o último sobrevivente do "triângulo rosa"

Rudolf Brazda foi cremado hoje, 8 de agosto

Rudolf Brazda, (foto) o último sobrevivente gay dos campos de concentração do regime Nazista, que eram marcados com um triângulo rosa em seus uniformes, morreu no último dia 3 de agosto, aos 98 anos, e seu funeral foi realizado hoje, 8 de agosto, em Mulhose, na região da Alsácia francesa

Participaram da cerimônia ex-combatentes e membros de associações de promoção dos Direitos Humanos e defesa da população LGBT – lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. De acordo com sua vontade, seus restos mortais foram cremados após uma breve cerimônia religiosa e suas cinzas colocadas junto aos de seu companheiro de vida por mais de 50 anos, Edward Mayer, que morreu em 2003, também em Mulhouse.

Nascido em 26 de junho de 1913 na Saxônia, leste da Alemanha, em uma família tcheca de língua alemã, Brazda saiu do anonimato em 2008, quando Berlim inaugurou um memorial em homenagem aos “triângulos rosa” e anunciou que apenas um deles, testemunha de todo o horror da época, permanecia vivo.

Brazda foi um dos dez mil deportados por Adolf Hitler devido a sua orientação sexual, uma vez que os nazistas consideravam os homossexuais uma epidemia perigosa para a continuidade da raça. Ele sobreviveu a 32 meses de humilhação e maus tratos no campo de Buchenwald, no centro da Alemanha.

32 meses de inferno

Em 1937, ele foi condenado a seis meses de prisão por “libertinagem com homens” e depois deportado para a Tchecoslováquia. Lá, após a anexação dos Sudetas por Hitler, ele foi novamente julgado e condenado por fatos semelhantes, desta vez a 14 meses de prisão. Rudolf Brazda foi considerado reincidente e, por isso, foi internado no campo de concentração de Buchenwald na Alemanha Central. Ele sobreviveu a 32 meses de inferno neste campo.

Ao lado do escritor Jean-Luc Schwab, Brazda publicou sua biografia, “Triângulos rosas – Um homossexual no campo de concentração nazista”, onde relembrou seu passado, os trabalhos forçados, a onipresença da morte e as humilhações sofridas.

Em abril de 2010 ele recebeu a Legião da Honra, uma alta condecoração do Estado francês

Da redação, com informações da AFP

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