Estados Unidos: Atores leiloam peças de figurinos e cenários de espetáculos da Broadway em prol do combate

Qualquer um pode comprar uma camiseta da montagem atual de “Como vencer na vida sem fazer força” estampada com o rosto de seu astro principal, o “”Harry Potter” Daniel Radcliffe. Mas só um frequentador de teatro muito determinado e disposto a ir ao fundo de seu bolso consegue levar para casa uma peça de roupa encharcada no suor de Radcliffe.

Na hora dos agradecimentos, em sessões recentes, o ator tem leiloado a gravata-borboleta de seu figurino, diretamente do palco, como parte do trabalho anual de captação de recursos da Broadway Cares/ Equity Fights Aids (BC/EFA), uma organização sem fins lucrativos de Nova York que combate o HIV e a aids. A pequena gravata azul de Radcliffe, que pode ser comprada por US$ 20, tem conseguido até US$ 5 mil, segundo Tom Viola, diretor-executivo da BC/EFA.

— Ele assina, eles leiloam, e lá vai ela — diz Viola.

Os leilões da entidade acontecem duas vezes por ano, nas seis semanas que antecedem dois dos principais eventos beneficentes do grupo: o Gypsy of the Year (O Cigano do Ano), no outono, e a competição de Páscoa Easter Bonnet, na primavera (eles também produzem um evento um pouco mais picante, o Broadway Bares, dedicado ao striptease). Nos dois, integrantes dos elencos de espetáculos em cartaz encenam esquetes, números de dança e musicais em uma competição que tem profissionais da Broadway como jurados. As produções que conseguem angariar mais dinheiro durante as campanhas são anunciadas ao final de cada performance.

Os produtos à venda não são apenas pôsteres autografados. Várias peças em cartaz na Broadway atualmente estão leiloando partes de seus cenários e figurinos, além de experiências únicas. Robin Williams, astro de “Bengal tiger at the Baghdad Zoo”, e o elenco de “Priscilla, a Rainha do Deserto”, estão levando o público para visitas aos bastidores; o elenco de “That championship season” está vendendo uma garrafa de bourbon que é passada de mão em mão durante a peça; Harvey Fierstein está leiloando os óculos escuros que usa em uma cena passada na praia em “A Gaiola das Loucas”; o elenco de “Good people” está vendendo roupas de coelho, que são as que mais fazem sucesso ao longo do espetáculo (duas foram vendidas recentemente por US$ 2.500 cada).

Quanto mais famoso for o ator, mais alto o valor que seu leilão alcançará. Daniel Radcliffe, quando estava em cartaz com “Equus”, leiloou uma calça jeans que usou no espetáculo por milhares de dólares.

— O leilão mais famoso foi quando Hugh Jackman e Daniel Craig venderam suas camisetas do palco, quando estavam em cartaz com “A steady rain” — lembra VIola. — Eles conseguiram centenas de milhares de dólares.

Ele diz que a BC/EFA, que foi fundada em 1988, vem leiloando pôsteres, objetos de cena e outras lembranças desde o começo dos anos 1990. Nos últimos anos, no entanto, como a presença de celebridades tem sido mais comum na Broadway, as vendas se tornaram uma fonte importante de recursos para a entidade. Viola diz que no ano passado a BC/EFA doou quase US$ 10 milhões para o Actors’ Fund e outros 300 grupos de combate à aids e de apoio às famílias; desse dinheiro, mais de US$ 7 milhões foram angariados junto às plateias, com donativos recebidos por membros dos elencos depois das performances e leilões do palco. Os donativos são aceitos nas peças dentro e fora da Broadway, bem como em turnês das companhias pelos EUA.

Um trabalho coletivo
Quando as celebridades interagem com o público, é importante o trabalho da produção e da segurança, para garantir que as transações são realizadas com tranquilidade.

— Aquilo que parece simples do palco é na verdade um trabalho coordenado entre o elenco, os sindicatos, os diretores de palco, os produtores e os proprietários dos teatros — diz Viola. — Os músicos têm que ficar sentados no fosso, esperando; os técnicos de som precisam remover os microfones que estão presos na roupa dos atores; o diretor de palco tem que controlar a ida das pessoas aos bastidores; e voluntários têm que garantir que as pessoas pagam o valor combinado pelo que compraram.

Segundo Viola, cada peça é responsável por determinar o que será oferecido. Roupas costumam fazer sucesso, embora devam ser baratas o suficiente para que sua substituição seja fácil (camisetas e gravatas costumam ser tranquilas; ternos e chapéus, não). Passeios pelos bastidores e sessões de fotos também são de fácil produção. Mesmo pessoas na plateia que não disponham de milhares de dólares para arrematar uma peça de roupa podem conseguir algo com uma boa pechincha.

— O público adora ouvir os atores falando com ele do palco — diz Viola. — É o que querem. É como se fosse um encontro informal entre os atores e 1.800 pessoas.

A competição de Páscoa, em sua 25 edição, acontece segunda e terça-feira, no Minskoff Theater, onde atualmente está em cartaz “O rei leão”.

Fonte: Extra

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *