Van da Guarda Municipal de Porto Alegre é usada para transporte de fiéis ao interior do Estado

Veículo ficou mais de duas horas em frente à igreja
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Uma van normalmente usada para transportar guardas municipais até parques e repartições públicas de Porto Alegre foi convertida em veículo de transporte de passageiros na última sexta-feira, feriado do Dia do Servidor Público.

Conduzido por um servidor fardado, o veículo transportou 21 jovens da Igreja Batista Ebenézer para um retiro no município de Estrela, no Vale do Taquari. A van voltou à Capital ainda na sexta e retornou para apanhar o grupo na tarde de domingo.

Às 18h40min, o veículo da Prefeitura foi estacionado ao lado do templo onde ficou por duas horas. Nesse período, homens e mulheres foram desembarcando de carros com sacolas e mochilas. A bagagem foi acondicionada na van da Guarda Municipal que partiu às 20h40min rumo ao Vale do Taquari.

O pastor da Igreja Batista Ebenézer, Josias Zanotta Camargo, responsável pela viagem, preferiu não gravar entrevista. Em resposta por e-mail, ele afirma que uma fiel enviou ofício à Secretaria e conseguiu o veículo no dia e hora marcados. O pastor declarou não saber que se tratava de uma prática proibida.

A Prefeitura de Porto Alegre informou, por meio de nota, que o prefeito José Fortunati determinou hoje a abertura de uma sindicância pela Procuradoria Geral do Município (PGM) para apurar as denúncias.  

Fonte: Rádio Gaúcha

Nereu D’Ávila não reconheceu a assinatura em documento
Foto: Ronaldo Bernardi/Agencia RBS

Viagem tinha autorização
A reportagem obteve uma cópia do memorando que autoriza a viagem, assinado pelo chefe da guarda municipal e pelo secretário de Direitos Humanos e Segurança Urbana, Nereu D’Avila.

À reportagem, D’Avila afirmou que os veículos são cedidos para transporte de guardas em curso por cidades da Região Metropolitana. Em casos excepcionais, segundo ele, uma van é cedida para entidades conveniadas à Secretaria, mas apenas para deslocamentos dentro de Porto Alegre.

O secretário se mostrou surpreso ao ver o ofício assinado por ele, e não reconheceu a assinatura. Ele determinou investigação interna para averiguar os fatos, e garantiu que não estava na cidade no dia 26 de outubro, quando a autorização foi assinada.

— Eu afirmo e reafirmo que foi a única vez que isso deve ter acontecido, porque eu estava viajando. Era o Dia do Funcionário Público, e ela [a Secretaria] não funcionava. A gente vai tomar as providências.

Ao ver as imagens registradas pela reportagem, o procurador do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, afirmou que irá analisar os documentos, mas adianta que há indícios de irregularidade.

— Pelas competências da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Urbana, se depreende que o uso de viaturas da Guarda Municipal para finalidade outra que não aquelas relacionadas à segurança urbana, com a proteção dos direitos humanos, com a colaboração de outro usuário da prefeitura, caracteriza um ato de desvio de finalidade.

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