Planeta livre da aids é meta da ONU

Plano de uma geração sem aids vira meta da ONU e do governo americano. Seria possível ver nascer no planeta Terra uma nova geração livre da aids? Pois é exatamente esta a nova meta que entidades de assistência de saúde e governos de vários países começam a debater, especialmente no âmbito das agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

A geração “aids-free” seria resultado de uma ação global conjunta, que reúne esforços governamentais com a experiência de entidades mundiais, como o grupo Médicos sem Fronteiras, capazes de prestar assistência até mesmo em regiões de acesso difícil, como no interior da África. A visão de uma geração sem aids é ambiciosa, mas não temos ainda uma forte evidência de que podemos alcançar este objetivo com os projetos em andamento.

 A secretária de Estado Hillary Clinton entrou neste esforço mundial, traçando, pela primeira vez, a meta ambiciosa de investir mais dinheiro do orçamento americano em pesquisas sobre o HIV e trabalhar no sentido de pressionar governos de países em desenvolvimento a fazer a sua parte.

Nos últimos dois anos, houve muito sucesso em ensaios clínicos que incluíram programas de circuncisão para homens, distribuição de coquetéis multidrogas para mulheres grávidas e de medicamentos para os pacientes recém-infectados, já nos primeiros sinais de manifestação do vírus. Estima-se que hoje haja cerca de 34 milhões de pessoas vivendo com o vírus no mundo. O continente africano é o que mais sofre com a doença e nele já se estima que haja cerca de um milhão de homens circuncidados recentemente em programas contra a propagação do HIV.

O programa mundial rumo a uma geração livre da aids tem três focos principais: propagar a cirrcuncisão masculina, deter a transmissão de mãe para filho (o que as drogas atuais já permitem) e promover a dobradinha “testar-e-tratar”. No caso dos EUA, a mudança de tom e de objetivos foi gigantesca: o governo George W. Bush, em 2003, havia anunciado um programa anti-aids com ênfase na propaganda sobre abstinência sexual, sobre fidelidade conjugal e sobre o uso de preservativos.

Houve algum investimento pequeno em pesquisa de medicamentos, mas havia sempre tensão sobre gastar mais em prevenção ou em tratamento. E Bush sempre preferiu prevenir o contágio do que pesquisar formas de tratamento. Segundo o jornal “The New York Times”, o governo Obama, agora, parece ter outro foco: dar maior ênfase em doenças que custam menos para combater e salvar mais vidas.

Ações contra o sarampo, contra o tétano, kits para o parto limpo, formação de parteiras e outras intervenções relativamente baratas fizeram parte do portfólio de ações governamentais. Mas o combate à aids estava longe de ser prioridade. O discurso de Hillary Clinton é, por isto, uma novidade bem-vinda para organizações assistenciais, que estão em campo para tentar deter o avanço da doença. O médico Unni Karunakara, presidente internacional dos Médicos Sem Fronteiras, considerou muito promissor o anúncio de que o governo americano pretende investir mais, finalmente, em políticas para salvar vidas e reverter a epidemia.

O governo indiano anunciou também preços mais baixos para medicamentos genéricos que fazem parte do coquetel contra o HIV, de modo a tornar o tratamento mais acessível em todo o continente africano. Mais de Mead, especialista em aids do Centro para Global Desenvolvimento, porém, foi mais cauteloso. Estudos em subgrupos como viciados em drogas ou casais em que apenas um membro está infectado concluíram que o tratamento imediato reduz drasticamente as taxas de novas infecções. – A visão de uma geração sem aids é ambiciosa, mas não temos ainda uma forte evidência de que podemos alcançar este objetivo com os projetos em andamento hoje – declarou o dr. Mais de Mead.

Hillary Clinton acenou com a data de 2015 para alcançar pelo menos a meta de sustar inteiramente a transmissão entre mães e seus bebês, no nascimento ou através da amamentação. O aleitamento materno é fonte de um sétimo das novas infecções por HIV na África. A ONU e os diversos programas governamentais gastam hoje cerca de US$ 16 bilhões no combate à aids por ano.

Se, em 2015, o número de infectados fosse drasticamente reduzido – ficando em apenas 15 milhões de pessoas, menos da metade dos 34 milhões atuais – o custo de tratamentos aumentaria para para US$ 23 bilhões. Dr. Anthony S. Fauci, especialista em aids que dirige o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas nos EUA, apontou para os desenvolvimentos recentes que fazem tratamento mais barato e mais eficiente: o custo de manter um africano em tratamento por um ano caiu para US$ 335, e era US$ 1100 há sete anos.

Fonte: O Globo

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