Obra de arte onde a imagem de Jesus Cristo aparecia mergulhada em sangue e urina foi destruída por vândalos

A controversa obra de Andres Serrano “Piss Christ” 

Duas obras do artista nova-iorquino Andres Serrano, 61 anos, foram vandalizadas na manhã do último domingo, 17 de abril, no Museu de Arte Contemporânea de Avignon, em França. Entre as obras destruídas encontravam-se o controverso quadro “Piss Christ” (1987) e “The Church – Soeur Jeanne Myriam” (1990).

A polêmica obra “Piss Christ”, que representa um crucifixo mergulhado em sangue e urina, tinha já sido alvo de críticas nas últimas semanas por movimentos religiosos, situação que levou a uma manifestação de cerca de mil pessoas no último sábado em Avignon, contra o que consideram ser o carácter agressivo da obra.

No cerne da questão está o apelo feito no inicio de abril pelo bispo de Avignon, Jean-Pierre Cattenoz, que exigiu que a obra fosse retirada considerando que esta “viola a imagem de Cristo na cruz”, apelo difundido por um movimento católico denominado “l’Institut Civitas” que diz pretender “restaurar a dignidade social de Nosso Senhor Jesus Cristo”, avançou o diário francês “Le Monde”.

A situação culminou agora com o ataque à obra no domingo, logo após a abertura do museu, quando um grupo de indivíduos jovens,entre os 18 e os 25 anos, atacaram a obra com um martelo e com um objeto cortante, adiantou a mesma publicação. Os seguranças do museu interviram, mas foram ameaçados e espancados, conforme explicaram os responsáveis da coleção.

O museu foi reaberto ontem, 19 de abril e mostrará as “obras destruídas como elas ficaram” disse o diretor do museu, Eric Mézil.

O ministro da Cultura e da comunicação francês, Frédéric Mitterrand, pronunciou-se sobre a situação no domingo e qualificou o ataque às obras como inaceitável afirmando ser um “atentado a um princípio fundamental consagrado na lei, o da liberdade de criação e expressão”, reconhecendo contudo que “um ou dois quadros poderiam chocar algumas pessoas”.

Já o colecionador de arte Yvon Lambert diz-se perseguido. “Recebi 30 mil emails, não estou exagerarando, 30.000 e-mails fundamentalistas”, afirmou revelando a sua indignação perante o que apelidou de “regresso à Idade Média”.

Esta não é a primeira vez que obras de Andres Serrano, um dos mais polêmicos fotógrafos da primeira metade dos anos 1990, foram atacadas. “Piss Christ” tinha já sido alvo de vandalismo na Austrália, em 1997, e dez anos depois outras obras do artista foram atacadas na Suécia.

As obras agora atacadas fazem parte da exposição, inaugurada em Dezembro, intitulada “Je Crois Aux Miracles”, que assinala os dez anos da colecção pessoal do negociador de arte Yvon Lambert e que poderá ser vista no Museu de Arte Contemporânea de Avignon até maio.

Fonte: Folha de S. Paulo

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