O Globo apresenta dados e propostas que serão discutidas na Conferência Rio+20

O percentual de pessoas morando em favelas, como a Rocinha, caiu de 46% para 33% entre 1990 e 2010 – Foto Hudson Pontes

No Jornal O Globo de hoje, 01 de novembro, podemos conhecer os contornos do que será discutido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). E o prazo para os países enviarem à ONU suas propostas para a Rio+20 termina hoje .

Em Brasília, o documento brasileiro foi apresentado às 11h no auditório do Ministério da Cultura. Em Nairóbi, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou o relatório “Keeping Track of our Changing Environment: From Rio to Rio+20” (De olho no meio ambiente em mutação: Do Rio à Rio+20). Sua última versão, mais completa, será lançada em maio de 2012, um mês antes da Conferência Rio+20.

– Hoje termina o prazo para os governos, empresas e a sociedade civil apresentarem as suas observações sobre como a Rio+20 pode alcançar um resultado de transformação quanto à aceleração e intensificação do desenvolvimento sustentável para um mundo de sete bilhões de pessoas – disse o Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do Pnuma, Achim Steiner.

Entre as sugestões do Brasil , está a adoção de metas de desenvolvimento sustentável, a exemplo dos Objetivos do Milênio fixados pela ONU para os países em desenvolvimento. No caso dos objetivos de sustentabilidade, no entanto, a ideia é que eles valham para todos os países do mundo.

O Brasil propõe que sejam dez objetivos, entre os quais a erradicação da pobreza, o empoderamento das mulheres e o acesso de todos aos recursos hídricos. Além disso, o governo quer que sejam adotados índices de sustentabilidade para referência de investimentos em bolsas de valores e o incentivo a financiamentos internacionais para projetos de cunho ambiental.

O embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Itamaraty, disse que a conferência não pretende resolver problemas nas negociações de mudanças climáticas, mas que provavelmente soluções na área de energia renovável e eficiência energética serão apontadas.

– Há várias ideias sobre objetivos na área de eficiência energética e energias renováveis, assuntos que têm incidência direta sobre a crise climática – afirmou.

O Brasil sugere ainda uma reforma do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas para que o órgão também inclua o componente da sustentabilidade em suas ações. O Brasil convidou todos chefes de Estado dos 193 países-membros da ONU para participarem da Rio 20.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, observou que, embora o documento final aprovado pela conferência não obrigue legalmente os países a segui-lo, certamente trará consequências práticas. Ela acredita que, pelo fato de não ser uma negociação legislativa, os presidentes e primeiros-ministros participantes ficarão mais à vontade para buscar soluções concretas para a sustentabilidade global.

– É uma conferência para construir soluções. Não é uma conferência de embates – disse a ministra.
Já o relatório do Pnuma apresenta em 111 páginas um diagnóstico da situação do planeta e as mudanças nos últimos 20 anos. Entre outros dados, ele apresenta informações sobre o acúmulo de gases de efeito estufa, o aumento de 40% do uso dos recursos naturais e o percentual de pessoas morando em favelas no mundo – que caiu de 46% para 33% entre 1990 e 2010, mas, em números absolutos, pulou de 656 milhões para 827 milhões.

– O relatório também mostra o modo como, quando há uma reação, é possível alterar drasticamente a trajetória de tendências perigosas que ameaçam o bem-estar humano – as iniciativas para acabar com produtos químicos que prejudicam a camada de ozônio compõem um exemplo vivo e poderoso – afirmou Steiner.

O documento ressalta, porém, que faltam dados sólidos e sistemas de monitoramento ambientais. A Cúpula Eye on Earth, que será realizada em dezembro, em Abu Dhabi, reunirá cientistas, gestores políticos e governos, que discutirão, entre outros tópicos, o compartilhamento de informações.

Da redação, com finformações do Jornal O Globo.

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