Sempre Seremos Charlie

atentado

Hoje, todas as pessoas, entidades e classes que são críticas ao fascismo, ao extremismo e ao preconceito estão em estado de choque.

O Brasil experimenta tensão nunca antes vivida em virtude de direitos conquistados por minorias e o confronto de segmentos hegemônicos que, por uma necessidade e sentimento de perda de privilégios, se constitui cada vez mais raivosa. Por outro lado, os direitos humanos e suas características por vezes individualistas, sofrem dificuldades absurdas na hora de dialogar com coletividades e políticas públicas.

O movimento social, a mídia contramajoritária, jornalistas, cartunistas usam da crítica para combater o ódio irracional. E uma crítica feroz, contundente, que se faça ouvir. Pois ninguém ouve o preto favelado, a preta lésbica pobre, o viado, a travesti, a sapatão, o aleijado, se não houver um tom de voz que se faça ser ouvido. Tudo para que todas as adjetivações supramencionadas se tornem uma coisa só: gente. Com direitos, garantias, proteções.

Toda raiva extremada resulta em ódio e ações violentas. E o atentado ao Charlie Hebdo, jornal francês de humor crítico e ácido, que tem por alvo muitas vezes as religiosidades, sentiu o resultado mais cruel de expor a necessidade de repensar o extremismo religioso e tudo que historicamente representou: encarceramento de ideias, opressão de espíritos e controle de corpos. Por outro lado, conceitos de extrema direita também repercutem na liberdade religiosa e em um total desconhecimento de outras ideias, deuses, democracias. O extremismo é um câncer maligno crescendo e inflamando discursos impensados, sufocando a alteridade.

É importante refletir sobre Charlie Hebdo e o que um atentado movido por intolerância representa a quem não se cala ante o aprisionamento de ideias. É um momento de virada para que a intolerância não cresça, para que o discurso de ódio não seja defendido como liberdade de expressão e para que, de uma vez por todas, a liberdade não seja subalterna da opressão.

#JeSuisCharlie  #charliehebdo

SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade

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