Semelhantes do mundo, uni-vos

Por Guilherme Gomes Ferreira*

Na busca por garantir velhos e novos direitos, a sociedade brasileira se depara com uma realidade que assola os movimentos sociais e que se faz presente na agenda político-contemporânea que, de mesmo modo, não é uma configuração puramente moderna: as políticas segmentárias.

Em vias de regra, nenhum direito é garantido assim, de boa, sem a pressão e o controle social dos movimentos políticos de grupos e coletivos historicamente violados e excluídos em direitos mínimos e básicos, ou seja, no retrato das políticas sociais brasileiras relativas às classes minoritárias, nada é dado: tudo se é conquistado. Essa realidade culminou no imaginário social de muita gente de que apenas o sujeito que, de um lado, vive na pele a negativa ao direito, pode, de outro lado, garanti-lo. Parafraseando Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é” e, por isso, só um igual a mim em situação de violação pode fazer mudar a cena social no campo dos direitos humanos à mim e aos meus semelhantes.

Esse fenômeno é o que vou denominar de política de segmentação que, longe de avançar para uma sociedade igualitária e justa, caminha na contramão de uma perspectiva de convivência e respeito com as diversidades. Ora, se os gays só podem ser representados por outros gays, para que então tantos esforços na multiplicação de uma educação em direitos humanos da parte de toda a parcela da sociedade heterossexual? O mesmo se vale para os que pensam que só mulheres fazem políticas para mulheres, negros para negros e idosos para idosos, e por ai em diante. Deixam de pensar que somos seres múltiplos e que podemos carregar na seara de nossas identidades muitos gêneros, etnias, idades e sexualidades.

Deixemos de lado o ideário cada vez mais radical e separatista no campo dos direitos e lembremos de uma coisa muito simples e esquecida que nos une a todos: a humanidade.

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