Teatro: Anjo da Guarda e as impressões do ator Boni Rangel

Um homem de meia idade contrata um garoto de programa e propõe a ele que o mate. A proposta inesperada faz com que os dois confrontem suas histórias de vida, seus medos, desejos e sonhos até chegarem a um final totalmente inesperado.

É difícil resumir em poucas palavras toda a complexidade da peça Anjo da Guarda, texto do dramaturgo paulista Franz Keppler, inédito nos palcos, mas com estreia marcada em Porto Alegre ainda neste mês. Um dos diferenciais da montagem é sua apresentação limitada a 60 pessoas, que dividirão o palco com os atores. Com direção de Paulo Guerra, Carlos Paixão e Boni Rangel interpretam Antônio e Vinícius, respectivamente. Rangel foi quem sugeriu a montagem da peça a Paulo Guerra e nos contou um pouco mais sobre a descoberta do texto e suas impressões a respeito de Anjo da Guarda. Confira só:

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Boni Rangel, durante ensaio da peça Anjo da Guarda na Casa de Cultura Mário Quintana (Foto: Luísa Hervé)

“Descobri esse texto numa viagem a São Paulo. Fui assistir o que era apenas uma leitura dramática e mesmo assim o texto teve um impacto profundo em mim. Achei os personagens tão complexos e interessante que me imaginei, durante a leitura do texto, fazendo os dois ao mesmo tempo! Quando eu conversei com o autor, Franz Keppler, que estava presente; ele me disse que, apesar de já ter vários dos seus textos montados por todo o Brasil, Anjo da Guarda era o único que não havia conseguido montar ainda.

Tive a ideia de apresentá-lo ao Paulo Guerra, diretor que, além de sensibilidade, teria coragem suficiente de abraçar esse trabalho tão ousado que aborda, entre várias outras coisas tão mais importantes, o sexo de forma tão crua.

Antônio é um homem solitário de meia idade que foi abandonado pelo grande amor da sua vida. Ele mantém, através do sexo pago, a expectativa de encontrar ao menos uma parte do que viveu no passado. Ele é um homem inteligente e perspicaz e sabe muito bem que esta atitude só lhe traz frustrações. Mesmo assim, repete esta rotina, já que imagina que depois de todas as frustrações por que já passou em sua vida, não tem mais condições de se realizar afetivamente. Além disso, Antônio sempre sentiu atração por um tipo específico de homem que nunca lhe permitiu se realizar na plenitude de seus desejos e sentimentos. Antônio gosta de “homens de verdade” que gostam de mulheres.Vinícius é um garoto de programa que já passou da idade de ser considerado “garoto”, mas que se mantém nessa atividade com a esperança de conseguir um dia juntar dinheiro suficiente para abrir seu próprio negócio. O seu passado também trouxe frustrações na vida, mas ele mantém certo humor a respeito do que já viveu, embora tenha conflitos de sentimentos que talvez ele nem consiga compreender. Vinícius aprendeu a se condicionar na atividade de oferecer sexo, mas parece não saber lidar muito bem com a sua afetividade e o significado dos seus desejos.

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Carlos Paixão e Boni Rangel interpretam Antônio e Vinícius na peça Anjo da Guarda. Direção de Paulo Guerra e texto de Franz Keppler (Foto: Luísa Hervé)

Esses dois personagens se encontram e relacionam suas próprias expectativas que dificilmente seriam compatíveis. Mas afinal, esses indivíduos tão diferentes têm algo em comum: os dois necessitam acalento para as suas almas que só um Anjo da Guarda poderia trazer. Mas a proposta que Antônio faz a Vinícius é algo que embaralha os limites de certo ou errado.

O texto de Franz Keppler traz emoções conflitantes dos personagens como constrangimento, desejo, carência, frieza e desespero, tratando de um assunto universal: as expectativas que fazemos em relação aos outros para suprir nossas carências humanas advindas das perdas”.

Quer saber mais? A peça Anjo da Guarda estreia nesta sexta-feira, dia 28 de março, em Porto Alegre! Está imperdível!

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