Superflex – Artistas dinamarqueses nos Jardins do DMAE

Inaugura nesta sexta-feira, 23 de abril, às 19h, a 5ª edição do projeto Videoarte nos Jardins do DMAE, que reúne dois trabalhos do coletivo de artistas dinamarqueses Superflex. A exposição pode ser visitada até o dia 6 de junho, de terças a domingos, no horário das 19h às 21h. A entrada é franca.

O Superflex é uma espécie de organização paralela (não exatamente um grupo de ativistas políticos, tampouco uma ONG) que orienta suas forças para realizar uma crítica à sociedade de consumo, buscando estabelecer novas relações políticas que desafiem o establishment mundial. Através da articulação das esferas artísticas e econômicas, o coletivo desenvolve projetos inovadores cujos resultados repercutem para além dos espaços de exposição e dos fóruns de debate tradicionais.

Desde a primeira edição do projeto Videoarte nos Jardins do DMAE, em 2005, a Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da SMC, responsável pelo evento, conta com a colaboração de arquitetos para a concepção da estrutura dessas projeções ao ar-livre. Neste ano, as duas obras do coletivo Superflex poderão ser vistas à noite, em espaços desenvolvidos pelo arquiteto Felipe Helfer, que tem sido responsável pela cenografia de algumas das mais importantes exposições realizadas no Estado e no País nos últimos anos.

Arte e Engajamento

Ao tomar como ponto de partida os impasses do processo de globalização, o Superflex sobrepõe novas pautas à pesada agenda política internacional, questionando processos de consumo e alavancando discussões que se materializam em produtos artísticos que ora ganham exibição em centros culturais e galerias, ora engendram relações de consumo sustentável. Questões como a quebra de patentes e o intrincado tabuleiro dos direitos autorais são frequentemente alvos do coletivo, que não se preocupa exclusivamente em dinamitar o capitalismo mas em propor e difundir relações econômicas possíveis e saudáveis entre os diversos atores deste sistema de produção.

Exemplos destas ações são o projeto Free-Beer, que parte de uma fórmula de cervejas livre de patente para a construção de espaços lúdicos em diversos cantos do mundo, onde a bebida produzida em colaboração com cervejarias locais pode ser consumida pelos visitantes da exposição. Outro dos mais recentes trabalhos do coletivo é uma série de vídeos feitos com o magnata da especulação financeira Soros, que hipnotizado divaga sobre os efeitos da crise econômica de 2008.

Nos jardins da estação de tratamento de águas da Prefeitura de Porto Alegre serão exibidas obras que põem em xeque dois emblemas do mundo capitalista: a Mercedes-Benz e o McDonald’s. No primeiro vídeo, Burning Car, vemos um automóvel em chamas no meio da noite (na tradicional cor bege dos taxis-Mercedes berlinenses), numa clara alusão aos atos de grupos de ativistas na capital alemã que queimavam carros em protesto contra a danosa emissão de CO2 à atmosfera e o consumo desenfreado de combustíveis não recicláveis no planeta. O segundo vídeo, Flooded McDonald’s, nos apresenta o processo de alagamento da réplica de uma loja da mais famosa cadeia de fast-food mundial. Ao passo em que a obra questiona uma marca sabidamente antiecológica, cujos alimentos podem trazer sérios prejuízos à saúde de quem consome sua junk food, ela também faz referência aos desastres ambientais cada vez mais frequentes no planeta, como chuvas constantes, tsunamis e tornados.

SUPERFLEX

Burning Car (2008, 9 minutos)
Flooded McDonald’s (2009, 21 minutos)
Jardins do DMAE (Rua 24 de Outubro, 200

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