Site do Terra cobre o Camarote gay do Carnaval da Bahia

A música eletrônica domina as caixas de som do camarote Axé Vipado, localizado no meio da Avenida Oceânica, um dos circuitos de trios elétricos no Carnaval de Salvador. O espaço pequeno é tomado por grandes homens sarados. O local é um camarote gay que faz sua estreia na folia baiana neste ano, com planos de transformar a capital soteropolitana em destino para o público gay durante o Carnaval, para competir com o Rio de Janeiro e com Florianópolis, cidades já conhecidas pelas festas gays carnavalescas.

Neste ano inaugural, o camarote está diferente dos que normalmente são encontrados no circuito: não há comida ou bebida de graça, a entrada é mais barata – de R$ 90 a R$ 130, dependendo do dia  e os banheiros são unissex. Os convidados não usam abadás, a maioria, aliás, fica sem camisa, para exibir o corpão.

“O Carnaval da Bahia é muito gay. Você vê o bloco da Daniela Mercury, só tem gay. Eu acredito nessa proposta, espero que continue nos próximos anos”, torce Willian Domenich. “O melhor é a liberdade que a gente tem pra ficar aqui. Só falta crescer mais para ter mais estrutura”, acrescenta André Mendonça.
Na noite da segunda-feira de Carnaval, a reportagem do Terra encontrou vários héteros no local, incluindo um casal que não parou de se beijar. Um grupo de seis australianos procurou um lugar barato para se hospedar em Salvador durante a folia e acabou no hostel que abriga o camarote. “Nenhum de nós é gay. Eu já beijei várias garotas aqui na Bahia”, ressalta Tim Smith. “Às vezes não é muito confortável (a balada gay), mas o melhor daqui é a bebida”.

A baiana Hozana Torres foi convidada por uma amiga para ir ao camarote, sabendo que o público-alvo era o homossexual. Aprovou a festa: “o ambiente é ótimo. Amanhã eu estou aqui de novo. Só acho que podia tocar um pouco de pagode junto com a música eletrônica, mas está ótimo”.

O organizador da festa, Ailton Botelho, destaca a tranquilidade do ambiente. “Não existe a menor possibilidade de excessos aqui, porque o lugar é pequeno, intimista. E por ser alto, quem está na rua não vê o que acontece aqui. Ele define o público do camarote como “90% barbies descamisadas”. “É bom para os freqüentadores poderem paquerar, os meninos são lindos”.

Entre os paquerados costumam estar até os seguranças do local. Paulo Santa Clara exerce a profissão há uma década e já trabalhou em muitos eventos gays. “Nossa postura é a mesma, independente do público. A gente leva muita cantada, mas leva na boa. Não pode fazer cara feia”, diz, sorrindo.

Fonte: Site Terra

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