Positivas – o filme que desvenda a realidade das mulheres que vivem com HIV – tem pré-estréia em Porto Alegre

SOMOS promove pré-estréia do filme Positivas com a presença da diretora e uma das protagonistas


No próximo dia 20 de maio, quinta-feira, às 19h na Sala P.F. Gastal, na Usina do Gasômetro, será realizado o pré-lançamento do documentário de longa-metragem “POSITIVAS”, dirigido por Susanna Lira.

Trata-se da história de sete mulheres que se infectaram com o vírus da aids através de seus maridos ou parceiros fixos. O documentário desvenda o véu de silêncio e hipocrisia que assola os laços do matrimônio. As personagens são Ana Paula Prado Silveira, Cida Lemos, Heli da Silva Cordeiro, Michelle Silva Caires, Rosária Piris Rodriguez, Silvia Aparecida Domingues de Almeida e Maria Medianeira Gonçalves de Mello. Sendo a última, gaúcha, moradora do Município de Viamão e precursora da Associação Medianeira de Apoio à Vida, que existe há 10 anos.

O filme tem o apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, pelo Ministério da Saúde e pelo Unaids. Produção Modo Operante. Após a exibição, debate com a diretora e com Maria Medianeira, gaúcha e uma das personagens do filme.

A Diretora Susanna Lira

Formada em jornalismo e publicidade, com especialização em telejornalismo, direção de documentários e programas de TV. Atua no mercado audiovisual desde 1994, tendo realizado diversos trabalhos e exercido funções distintas para os seguintes veículos de comunicação: TV GLOBO, GLOBONEWS, MULTISHOW, GNT, FUTURA, TV CULTURA, TV EDUCATIVA E MTV. Dirigiu e roteirizou o documentário em longa-metragem NADA SOBRE MEU PAI, sobre a questão da ausência paterna no Brasil, que ainda está em filmagem.

A Aids hoje entre mulheres

O filme também serve de alerta para as mulheres de todas as idades, pois se por um lado as mulheres casadas e com parceiros fixos se colocam em risco, por todas as crenças que envolvem uma relação a dois, as mais jovens, independente de estarem “ficando” ou namorando, também estão mais vulneráveis. O número de casos de aids registrados entre jovens de 13 a 19 anos do sexo feminino é seis vezes maior do que em rapazes da mesma idade, apontam os números do Ministério da Saúde.

A velocidade de crescimento da infecção entre as mulheres já é nove vezes maior do que entre os homens. Para cada 1,8 homem infectado há uma mulher com o HIV.

O Rio Grande do Sul é hoje o Estado mais problemático do país, uma vez que ocupa o primeiro lugar do ranking com a maior incidência de aids entre os Estados brasileiros, apresentando o maior número de casos por 100 mil habitantes, segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde no último boletim epidemiológico, em novembro de 2009.

No Brasil, cerca de 80 mil mulheres brasileiras são HIV positivo, número que corresponde a quase 30% do total de casos registrados desde a década de 80.

7 mulheres de verdade

O mérito do filme está na força dos depoimentos das sete mulheres e no modo como elas enfrentam o estigma de serem portadoras do HIV.

Elas repetem, uma depois da outra, porque nunca pediram que o namorado ou o marido usasse camisinha. “A gente acha que o amor imuniza”, resume Heli. Dona de casa, moradora do subúrbio carioca de Piedade, Heli descobriu da pior forma possível que o amor não é tão poderoso assim. Depois de 31 anos de casada, só soube que o marido tinha aids quando ele já estava à beira da morte. Nem bem se refez do susto, descobriu que estava contaminada com o HIV. Convive com o vírus há 14 anos.

Não há médicos ou psicólogos no filme. “A voz da ciência já foi ouvida. O filme é a chance de o público ouvir experiências de verdade”, define Susanna. Para fazer “Positivas”, ela passou um ano frequentando grupos de apoio a mulheres com HIV. Viajou por várias capitais, conversou com mais de 30 mulheres até definir suas “atrizes”.

Cida Lemos, (foto) com 57 anos, jornalista também é uma das protasgonistas, além de ter capineado os contatos para formar o elenco. Ela também é cega, em decorrência de uma doença oportunista, e tem muito a ensinar. “Quando estamos dispostos a nos relacionarmos sexualmente encontramos muitas dificuldades. Os cegos não podem ir a qualquer lugar, sem saber onde estão, nem levar um desconhecido para casa. Diante de tantas outras preocupações, como a segurança, a sexualidade e a prevenção acabam ficando em segundo plano”, explicou a ativista.

Assista ao trailer:

Promovido pelo SOMOS Ponto de Cultura LGBT / SOMOS – Comunicação, Saúde e Sexualidade em parceria com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Dia: 20/05/2010, quinta-feira, às 19h30min

Local: Sala PF Gastal, na Usina do Gasômetro, às 19 horas.

Distribuição de senhas a partir das 19h.

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