Parada Livre reúne milhares na Redenção

Com a segurança reforçada, por causa das ameaças de agressões por grupos de neonazistas, a 14ª Parada Livre, realizada no último domingo, 28 de novembro, ganhou este ano um tom de resistência e escancarou a necessidade do Estado garantir os Direitos Humanos da população LGBT e enfrentar a homofobia como política pública.

Gustavo Bernardes (foto ao lado), Coordenador Geral do SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade, um dos grupos organizadores do evento, afirmou na abertura “que ninguém irá estragar a nossa festa, nem skinheads, nem oportunistas”, referindo-se, também a alguns carros que tentaram, na última hora, entrar para dar visibilidade às suas festas ou aos seus núcleos de partidos políticos, o que a comissão organizadora não permite.

Marcelly Malta, da Igualdade e coordenadora geral do evento e presidente da Igualdade – Associação de travestis e Transexuais do RS estava muito orgulhosa com o resultado e com o lançamento da campanha Travesti e respeito”, apoiada pelo Departamento de Aids do Ministério da Saúde e lamentou a ausência da Keila Simpson, travesti que ocupa o cargo de vice-presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e que foi alvejada a poucos dias em Salvador, quando estava realizando seu trabalho de intervenção na Bahia.

Mas estes fatos não abalaram a Parada e, ao contrário, só fez com que as pessoas colocassem mais energia e emoção em suas falas. Este ano foi o ano de todas as cores e a Redenção ficou repleta de famílias, crianças, homens, mulheres, travestis, drag queens, todos em plena harmonia, dando um colorido especial ao parque mais tradicional de todos os gaúchos.em.

Em meio ao público, estimado em muito mais de 50 mil pessoas, todos queriam tirar fotos e filmar as atrações no palco e nos dez trios elétricos que percorreu o entorno do parque Farroupilha entrando no espírito da festa que também é um momento político de visibilidade e pelos direitos civis e humanos, independente da orientação sexual e da identidade de gênero.

Luci dos Santos, 75 anos, mãe de uma drag queen, era só elogios. “Ele é um filho maravilhoso, não tenho nada do que me queixar”, afirmou. O filho, a drag Ane Giradot, disse acreditar que manifestações como esta sejam exemplos de humanismo. “Isto mostra que felicidade e humanidade têm de estar juntas. Eu vejo que tu tens que conquistar espaço de respeito e de amor, que começa com a família” disse.

Os jovens que participam do projeto “Qual é a sua?”, do SOMOS e integraram o laboratório de dança apresentatam o resultados das oficinas durante a Parada. Robson Brittes, 21 anos que participou das oficinas ministradas pelo Nilton Junior, disse que foi muito gratificante ver o trabalho no palco. “Fiz novos amigos, aprendi mais sobre técnicas de dança moderna e ainda ver o grupo se apresentar para um público tão grande, é emocionante”, disse.

Texto e fotos: Alexandre Böer

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *