Lula não consegue dar asilo

Irã rejeita apelo de Lula e mantém condenação à forca

Sakineh Mohammadi Ashtiani
O Presidente Lula havia oferecido asilo à iraniana que será enforcada por acusação de adultério. Desta vez, o presidente brasileiro levou um “não” do Irã. O governo iraniano sinalizou que rejeitará a proposta de asilo que o brasileiro havia oferecido a uma mulher condenada à morte no país asiático por adultério – e que motivou uma grande campanha internacional. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, Lula se deixou “levar pela emoção” ao fazer o pedido e agiu “sem conhecimento de causa”.

– Lula tem um temperamento muito humano e emotivo (…) e provavelmente não recebeu informações suficientes sobre este caso. O que podemos fazer é fornecer-lhe os detalhes do caso desta pessoa que cometeu um crime, para que Lula possa entendê-lo – declarou o porta-voz do ministério, Ramin Mehmanparast.

No sábado, Lula propôs que o Brasil recebesse Sakineh Mohamadi Ashtiani, (foto) 43 anos e mãe de dois filhos, condenada em 2006 por ter mantido “uma relação ilegal” com dois homens. Originalmente, ela havia sido sentenciada a receber 99 chicotadas (o que já foi executado), mas seu caso foi reaberto quando a Justiça iraniana a acusou de ter matado o marido. Ela foi inocentada desse crime, mas a pena relativa ao adultério foi revista, e a iraniana acabou sentenciada a morrer apedrejada em 2007. Em julho, após a mobilização global para salvar a sua vida, o governo iraniano mudou a sentença para morte por enforcamento.

A proposta de asilo foi uma mudança de postura de Lula, já que, dias antes, ele havia se negado a interceder por Sakineh, dizendo que “um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo pedido que alguém pede de outro país”. A referência à campanha online “Liga Lula” – que pedia que o líder brasileiro telefonasse para o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e pedisse a libertação da iraniana – teve uma reação extremamente negativa no Brasil.

Ontem, em resposta à rejeição iraniana, Lula afirmou que o pedido de asilo a Sakineh foi “mais humanitário’’ do que “formal’’, e reconheceu ser “um homem emocional’’. O presidente deixou em aberto a possibilidade de asilo:

– Obviamente, se houver disposição do Irã em conversar sobre esse assunto, teremos imenso prazer e, se for o caso, trazer essa mulher para o Brasil.

Sobre os direitos humanos no Irã, disse que “cada país tem sua lei, sua Constituição, sua religião, e precisamos, concordando ou não, aprender a respeitar o procedimento de cada país’’.

Brasil e Irã mantêm estreita relação política e econômica. Em maio, Lula mediou o acordo para transferência de urânio levemente enriquecido do Irã para a Turquia como meio de a comunidade internacional apoiar o programa nuclear iraniano. A proposta, no entanto, foi rejeitada.

Ontem, os EUA anunciaram medidas para tornar mais difícil para o Irã burlar as sanções impostas ao país devido à questão nuclear. O governo americano listou 21 empresas em seis nações que seriam controladas por Teerã “para diminuir o risco que essas entidades representam para transações legítimas’’, segundo a secretaria do Tesouro dos EUA. As empresas – bancos, firmas mineradores e de outros setores, muitas delas baseadas na Europa e no Japão – são acusadas de servirem de “fachada’’ para o governo do Irã.

Fonte: Zero Hora

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