HOMOFOBIA – Em São Paulo mais agressões brutais contra homossexuais

“Ele me chamou. Quando virei, ele já me atacou no rosto com a lâmpada”, disse Luis (Foto: Leticia Macedo/G1)

No Centro de São Paulo, momentos de fúria. Cinco jovens fizeram um arrastão de violência e intolerância. Eles percorreram a Avenida Paulista espalhando socos, chutes e tapas. Um dos agressores tem apenas 16 anos. São quatro menores de idade e um apenas maior de idade. Os agressores são estudantes de classe média alta.

A polícia vai investigar se o motivo da violência foi mesmo homofobia. Entres as vítimas, havia rapazes homossexuais. Foram agressões em sequência. O primeiro alvo foram dois rapazes. Um conseguiu fugir para uma estação do metrô. O outro apanhou tanto que foi hospitalizado.

“Violência sem escrúpulos, eu nunca tinha visto nada igual”, lembra uma testemunha.
Depois, os cinco jovens, estudantes de classe média alta, seguiram pela Avenida Paulista e escolheram outras vítimas.’Ele deu um grito para chamar a nossa atenção. Aí na hora que eu olhei ele foi e lançou a lâmpada no meu rosto”, conta outra testemunha.

A pancadaria só parou quando seguranças dos prédios chegaram. “O rapaz não estava fazendo nada. Ele estava vindo normalmente pra cá e eles em direção contrária. Pegaram duas lâmpadas e estouraram no rapaz”, lembra o segurança Hérculs Aparecido Arelo.

“Eles saíram correndo e aí um passava pro outro: ‘porque você não bateu? Vamos correr”. Aí saiu correndo. Queriam ter batido mais”, afirma o segurança José Augusto Neto.

O arrastão da violência deixou muitas marcas na Avenida Paulista. Tem muito caco no canteiro e, logo na frente, ainda tem muito sangue.

Nos dois grupos agredidos havia homossexuais. “Eu escutei alguma coisa referente a bicha, a gay. Fizeram até outros comentários, enfim”, diz uma testemunha.

Na delegacia, a mãe de um dos agressores, de 16 anos, pediu desculpas a uma das vítimas e disse que estava constrangida. “Eu penso que isso deve ser uma infantilidade porque eu nunca incentivei o meu filho a ser contra homossexual, eu tenho amigos homossexuais e ele nunca foi mal educado, muito pelo contrário, conversa, cumprimenta”, diz ela.

A polícia vai investigar se o motivo do crime foi mesmo homofobia. “O que existe na realidade, é uma agressão sem sentido das pessoas que não se conformam com a situação de alguém, o modo de vida, eu acho que isso aí é uma coisa que deveria parar”, destaca o delegado José Matalo Neto.
Os agressores pararam, só que atrás das grades. O jovem maior de idade já está preso e os menores foram recolhidos na Fundação Casa, a antiga Febem.

Os agressores também foram autuados em flagrante por roubo de objetos pessoais de uma vítima de 23 anos que prestava queixa na delegacia quando reconheceu o grupo.
Essa questão da homofobia foi pesquisada recentemente pelo Ministério da Educação em 11 capitais brasileiras, que demonstrou que as escolas têm dificuldade em lidar com essa questão.

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Fonte: Edição de hoje, 15 de novembro de 2010, no Jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo.
 

 

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