“É real a violência psicológica”, diz a médica especialista em saúde mental feminina, Drª Maria José Araújo

MariaJo

A cidade de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, recebeu uma série de formações em gênero e saúde mental promovidas pelo projeto Girassóis. Os cursos foram iniciados em março de 2014 e divididos em três datas, que capacitaram profissionais da saúde, da rede de enfrentamento à violência contra a mulher e lideranças comunitárias. Uma das pessoas que tornou essa medida possível foi a médica baiana Maria José Araújo, que esteve na cidade na última terça-feira (7) para participar do Seminário Gênero, componente essencial na atenção à saúde mental das mulheres. Ela trabalhou como consultora para o projeto, desenvolvido pelo Coletivo Feminino Plural.

Maria José formou-se inicialmente em Pediatria, carreira que ela logo abandonou para fazer mestrado em Saúde Mental Materna e Infantil na França, seguido de uma formação em Ginecologia de Atenção Primária na Suíça. Paralelamente, é ativista pelos direitos das mulheres e uma das fundadoras da Rede Feminista de Saúde, além de coordenadora da área técnica de Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, no primeiro mandato do presidente Lula, e coordenadora, no Brasil, da instituição internacional “Médicos pelo direito a decidir”. Em 2005, Maria José foi uma das 52 brasileiras indicadas pelo projeto 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz. A iniciativa selecionou mil mulheres ao redor do mundo todo indicadas para o prêmio como forma de criticar o fato de apenas 11 mulheres o terem recebido durante seus 113 anos.

Em entrevista ao Sul21, ela analisa as questões que relacionam gênero e saúde mental, defendendo que as mulheres têm mais problemas psiquiátricos (elas são 74% da população que toma remédios para estas doenças) devido às desigualdades, violências e pressões sociais sofridas. As políticas públicas voltadas à saúde mental, porém, não fazem esse recorte, critica ela. “Não tem nenhuma base no sentido de mudar um pouco a autoestima das mulheres, de tentar interferir na questão da violência, no auto-conhecimento, na tripla jornada, na discriminação que as mulheres sofrem”, aponta.

Essa violência que as mulheres sofrem na sociedade pode ser tanto física quanto psicológica. “É real a violência psicológica. Tanto é real que está categorizada na lei Maria da Penha, mas as mulheres às vezes nem percebem que estão sofrendo com essa violência que não deixa marca física, mas deixa marca emocional”, avalia a médica. Isso passa por questões de autoestima, determinada sempre pelo “olhar masculino”, segundo ela, que faz com que as mulheres tenham cada vez mais problemas de saúde.

Confira a entrevista completa no link abaixo:

http://www.sul21.com.br/jornal/o-casamento-e-um-risco-para-a-vida-das-mulheres-diz-medica-especialista-em-saude-mental-feminina/

Fonte: www.sul21.com.br/jornal/

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