Declaração de consenso de Vancouver pede acesso precoce mundial ao tratamento e PrEP

 

 

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) irá lançar novas orientações para o tratamento da infeção pelo HIV no final do ano, recomendando-o para todas as pessoas que vivem com HIV, independentemente da sua contagem CD4.

A nova recomendação vai ao encontro dos resultados de dois ensaios randomizados de grandes dimensões, o START e o Temprano, apresentados em 2015, onde ambos demonstraram que iniciar o tratamento com contagens CD4 superiores a 500 células/mm3 resultou em menos doenças graves e mortes associadas a AIDS, em comparação com a opção de adiar o tratamento.

As novas orientações irão recomendar:

  • Tratamento para todos os adultos e adolescentes a viver com VIH, independentemente da contagem CD4, dando prioridade àqueles com contagens CD4 inferiores a 350 células/mm3e com doenças definidoras de AIDS;
  • Tratamento para todas as crianças a viver com HIV;
  • Tratamento para todas as mulheres grávidas a viver com HIV, não apenas durante a gravidez, mas ao longo da vida (Opção B+).
  • Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) deve ser disponibilizada como medida adicional de prevenção a pessoas que se encontrem em situação de maior vulnerabilidade à infeção pelo HIV.

As novas orientações apoiam a meta 90-90-90 da ONUSIDA (ver abaixo), mas irão representar um grande desafio para alguns países em termos de cuidados de saúde e provisão de tratamento.

Alguns dos primeiros dados dos estudos de grandes dimensões no continente africano, que analisam o impacto das abordagens do tratamento para o VIH como prevenção nas populações, sugerem que os objetivos de rastrear e tratar 90% das pessoas elegíveis são alcançáveis.

Estas conclusões encorajadoras foram apresentadas no International HIV Treatment as Prevention Workshop em Vancouver, no passado sábado. Michael Sidibé, diretor executivo da ONUSIDA, declarou que as metas ambiciosas da sua organização, que pretendem rastrear 90% das pessoas, ter 90% das pessoas infetadas sob tratamento e 90% das pessoas sob tratamento com carga viral indetetável, são alcançáveis – desde que exista liderança e compromisso político.

Vários estudos randomizados e de grandes dimensões estão a examinar o impacto do aumento das abordagens “testar e tratar” em países africanos. O objetivo final é reduzir substancialmente as novas infeções pelo HIV (a incidência). Ainda é muito cedo para ter esses resultados, mas os investigadores reportaram que o estudo SEARCH no Quénia e Uganda está a atingir a meta 90-90-90 e que um outro estudo de grandes dimensões está próximo da mesma.

Algumas das intervenções de sucesso que foram descritas incluíam campanhas de saúde onde é oferecido o teste de pressão arterial, diabetes e malária em conjunto com o HIV, e rastreio ao HIV em contexto doméstico, serviços de videoconsulta para que as visitas aos hospitais e farmácias sejam menos frequentes e se reduzam os tempos de espera, melhoria da formação dos funcionários e uma forma mais empática de lidar com problemas de adesão e assiduidade.

Os serviços de saúde em alguns países africanos, incluindo o Botswana, Maláui e Ruanda estão a disponibilizar um tratamento antirretroviral eficaz a uma proporção de cidadãos seropositivos para o HIV maior que a dos Estados Unidos da América e outros países ricos.

Contudo, os investigadores também salientaram a questão do acesso desigual ao tratamento, permanecendo elevada a prevalência em populações chave, incluindo mulheres trabalhadoras do sexo e homens que têm sexo com homens. Sem serviços adequados, adaptados a estes grupos e a outros que encontrem obstáculos no acesso ao tratamento, eles e os seus parceiros sexuais não irão receber os benefícios do tratamento antirretroviral.

Fonte: aidsmap conference news bulletins@bulletins.aidsmap.com

Leia a notícia na íntegra em aidsmap.com

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