CONTRA O PODER QUE OBRIGA A SILENCIAR

Cervo flechado. Água forte, 2015.

Cervo flechado. Água forte, 2015.

Em exibição até domingo, dia 17/01, na Casa de Cultura Mário Quintana, a exposição Poder. Amar., do artista visual David Ceccon, reúne trabalhos que evocam representações como o silêncio, o medo, o desejo, as inseguranças: violências produzidas por uma sociedade que hierarquiza identidades e rejeita a diferença.

A pesquisa do artista se desenvolve a partir de questões do universo do gênero e sexualidade sob a perspectiva da violência, da necessidade de esconder-se de si mesmo e dos outros. Essa existência é interditada por outros indivíduos, pelo governo, pela família, etc. e muitas vezes a vontade de ser é castrada antes mesmo de vir a ser, através de violências interiorizadas como disfarces, opressão, vergonha e medo do diferente.

As obras em gravura, desenho e instalação trazem em sua construção a vulnerabilidade humana, simbolizando a unicidade e a fragilidade, mas também a força e a resistência de uma vida. O silêncio impregna os trabalhos como uma reticência, carregando o espectador para dentro desse universo, propondo a ele um posicionamento que pode ser de sensibilidade, empatia ou de violência frente às obras.

A exposição, selecionada na última edição do 4º Prêmio IEAVI, enfoca a busca de si que surge, para alguns indivíduos, paradoxalmente como uma necessidade de fuga de si – de desaparecimento – por pressões e preconceitos gerados e disseminados no cotidiano.

Poder. Amar. evoca o lugar suspenso da existência, entre o ser e o não-ser, e onde a luta cotidiana pela liberdade é uma resistência contra o poder que obriga a calar.

Até o dia 17/01, domingo, na Galeria Virgílio Calegari (7º andar da Casa de Cultura Mário Quintana – Porto Alegre/RS). A entrada é franca.