Assassinatos por motivação homofóbica cresce em Honduras

Nos últimos 18 meses, 34 homossexuais foram assassinados em Honduras. Mais que o dobro dos cinco anos anteriores. O aumento no número de crimes homofóbicos foi tal que a Comissão de Direitos Humanos, Human Rights Watch e até o presidente os EUA, Barack Obama, pediu ao governo de Porfírio Lobo para esclarecer os crimes. Uma tarefa que parece difícil em Honduras, o segundo país mais pobre da América Latina, um dos mais violentos e um com os mais altos níveis de impunidade.

Um relato do jornal La Prensa, realizada em 2008 indica que apenas 5% de homicídios foram solucionados no país. E a situação parece pior se a vítima é gay. “Nós somos cidadãos de segunda classe, não há discriminação em todos os lugares”, diz Indyra Mendoza, coordenador da Rede Lésbica Catrachos baseada em Tegucigalpa. “Vivemos em um país cuja cultura é assim. Nunca há uma explicação para esses crimes. O ódio está em toda parte. Amigos transexuais são mortos a tiros na rua e nem sequer levam o corpo, porque dizem que o falecido tem AIDS, o que não é verdade”, descreve Mendoza.


Washington comparou a violência contra homossexuais em Honduras com Uganda, que recebeu condenação internacional após o assassinato do ativista gay David Kato, em janeiro deste ano.

Um relatório da Human Rights Watch maio 2009 documentou abusos policiais contra gays, travestis e transexuais em Honduras. O relatório observa que o artigo 99 da Constituição hondurenha impõe sanções contra os “mendigos sem licença, cafetões, prostitutas de rua, drogados, bêbados e os jogadores”, que é usado pela polícia para “perseguir” os gays. José Bonilla, coordenador do Coletivo Violeta, acrescenta que desde o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em setembro de 2009, a violência aumentou. “Ela sempre foi crime, mas não com tanta frequência”. Bonilla acrescentou que um dos principais objetivos dos ativistas é mudar a lei para ser mais específica, como tem sido feito em outros países latino-americanos como Colômbia e Argentina. “Talvez não seja uma prioridade para os hondurenhos, mas é um direito humano”, afirma

Com informações El País

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