Carioca sofre ameaças e ofensas homofóbicas dos vizinhos

Por Diego Leismann

Esta semana o SOMOS recebeu uma denúncia de homofobia através de suas redes sociais na internet. O funcionário público e morador da Zona Norte de Niterói, RJ, Eduardo da Cruz, 32 anos, conta que reclamou de um serviço de lavagem de carros que usava sua calçada. Ele percebeu que os produtos químicos e resíduos dos automóveis causaram alergia na filha do morador do segundo andar do sobrado onde mora e em seu animal de estimação. Mesmo com uma denúncia na Secretaria de Controle Urbano de Niterói, o vizinho e os funcionários da lavagem continuaram ocupando o espaço. Descontente, Eduardo tentou impedir o uso do espaço colocando vasos, que depois de um tempo foram roubados.

Na quarta-feira, 6 de julho, quando chegava em casa, foi abordado por alguns lavadores acompanhados do dono do negócio. Com ameaças e piadas sobre sua homossexualidade, impediram o morador de passar pela calçada e entrar na residência. Eduardo relata que um dos homens gritou frases ofensivas em uma situação obscena publicamente. Com medo das atitudes violentas, o morador ligou para a polícia, mas não obteve resposta.

Na quinta-feira, dia 7 de julho, Eduardo encontrou o muro de seu prédio pichado com termos homofóbicos (foto). Com raiva, recolheu seus pertences e decidiu sair de casa por alguns dias. Ele diz que não se sente mais seguro em voltar sozinho para a rua que morou desde criança e acredita que esse ato de vandalismo foi influenciado pela impunidade contra crimes homofóbicos.

É através de cenas como estas, cada vez mais cotidianas no nosso país, que nota-se a verdadeira necessidade da aprovação de uma legislação que proteja minorias afrontadas diariamente. A burocracia na aprovação da PLC 122/2006 é um dos maiores exemplos da falta de reflexão crítica que os nossos legisladores submetem seu eleitorado. Enquanto isso, Eduardo, traumatizado e humilhado, tenta retomar sua rotina.

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